Sarau Especial Elas marca um ano da campanha Máscara Roxa no RS

Lançada em junho de 2020 no Rio Grande do Sul, a campanha Máscara Roxa possibilita às mulheres vítimas de violência doméstica fazerem denúncias em farmácias credenciadas como ‘amiga das mulheres’. A iniciativa ajudou a combater o elevado número de casos verificados neste período de pandemia, quando as mulheres passaram a conviver mais tempo com os agressores e necessitavam de canais de socorro.

Para marcar um ano de funcionamento e a continuidade da campanha, a Assembleia Legislativa, em parceria com o Comitê Gaúcho ElesPoElas da ONU Mulheres, realizou o Sarau Especial Elas, com show das cantoras Loma Pereira e Tatiéli Bueno. As artistas gaúchas apresentaram repertório de músicas de diversos compositores brasileiros que fazem referência não só à figura feminina, mas também suas lutas. O show, transmitido pela TV Assembleia, foi acompanhado presencialmente por um pequeno grupo de convidados e convidadas, com restrições e protocolos sanitários de distanciamento.

Antes do espetáculo, houve novas adesões ao movimento mundial da ONU Mulheres, o HeForShe. Assinaram o termo de compromisso a Rede de Farmácias Associadas, representada pela coordenadora de comunicação, Patrícia Lima; e a Liga Gaúcha de Futsal, pelo presidente Nelson Bavier. A partir da adesão, a Rede de Farmácias e a Liga reforçam em seus setores o compromisso em defesa da igualdade, pelo fim da discriminação e da violência contra mulheres e meninas.

O deputado Edegar Pretto, coordenador do Comitê Gaúcho ElesPorElas, relatou a trajetória percorrida até que se chegasse à efetivação da Campanha Máscara Roxa. Ele contou que em 2011, no seu primeiro mandato, a Assembleia Legislativa deu um passo importante, que serviu de exemplo a outros parlamentos brasileiros, ao ter todos os deputados com adesão à Frente Parlamentar dos Homens Pelo Fim da Violência contra as Mulheres, na qual Pretto é o coordenador.

“A Assembleia gaúcha foi o primeiro parlamento no Brasil a ter um grupo de homens formalmente preocupados, querendo discutir esse assunto. Fizemos toda uma mobilização com os movimentos sociais e com a generosidade das mulheres, que compreenderam também o nosso papel, que não é tirar o protagonismo delas, que há mais de 100 anos lutam organizadas. Não dá para dizer ainda que temos um movimento de homens por essa causa, mas temos boas experiências por aqui”, destacou.

O deputado frisou que a partir da Frente Parlamentar foram criados grupos de trabalho envolvendo diversas outras entidades e setores, entre eles os clubes de futebol Grêmio e Internacional, empresários, universidades e institutos federais. Fruto desse pioneirismo na Assembleia, que colocou homens também na luta pelo fim da violência contra as mulheres, Pretto foi convidado em 2013 para falar sobre a experiência em um evento da ONU Mulheres em Nova York. Em 2014 passou a se organizar em vários países o Movimento Global HeForShe pela igualdade de gênero, sendo que o deputado passou a integrá-lo no Brasil.

“Eu pedi autorização à ONU, e nos concederam a possibilidade de criar o Comitê Gaúcho ElesPorElas. Hoje temos mais de 40 integrantes que militam na causa. É através desse Comitê que criamos a Campanha Máscara Roxa. A Rede Associadas foi a primeira a aderir. Hoje são seis redes participantes e mais de 1.500 farmácias amigas das mulheres, com atendentes treinados para atender aquela mulher que precisa de ajuda, que pede uma máscara roxa. Mais de 100 denúncias já foram acolhidas e tivemos prisões em flagrante. Em função dessa campanha, nós constituímos uma política pública aqui no Rio Grande do Sul com a parceria do setor privado, sem nenhum orçamento, mas com muito diálogo e persistência”, argumentou.

No Brasil, o número de casos violência doméstica aumentou na pandemia. A partir disso, a campanha Máscara Roxa se concretizou no RS com um termo de cooperação assinado em conjunto com órgãos ligados aos poderes Executivo e Judiciário, da Segurança e entidades ligadas à pauta das mulheres. Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência no último ano no país, durante a pandemia.

O espetáculo Elas

Num cenário com o predomínio da cor Lilás, as cantoras Loma Pereira e Tatiéli Bueno fizeram o show especial em apoio à Campanha Máscara Roxa, que em junho completou um ano de funcionamento no estado. No palco, foi respeitada a paridade de gênero, somando três homens e três mulheres na condução do espetáculo. Antes de iniciar, as duas artistas falaram da importância do evento. “Cantar por essa causa é muito especial, é uma grande honra porque veio ao encontro do que nós pretendemos dizer às mulheres. Nós estamos nesse novo tempo, e quem não está passando por isso, mexa-se, levante-se e ajude. Em briga de marido e mulher, a mulher se mete sim e defende a mulher”, alertou Loma.

Tatiéli comentou que o show surgiu da união de mulheres. “Quanto mais estivermos juntas e unidas, com certeza a gente vai fazer a diferença, não só as mulheres, como os homens também. Eu comecei a cantar inspirada pela Loma. E hoje estar no palco ao lado dela mostra que sim, que a mulher estar no palco faz a diferença, porque ela me inspirou. É essa a ideia, para dar voz às nossas vozes, e a muitas outras vozes que a gente pode ajudar com o repertório, com as letras.”

ElesPorElas

O movimento da ONU Mulheres, Eles por Elas (HeForShe) é um esforço global criado em 2014 para difundir a conscientização e promover a responsabilidade de homens e meninos para a eliminação de todas as formas de discriminação e violência contra as mulheres e meninas.

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do Brasil a aderir ao ElesPorElas, em 2015. No mesmo ano, a Assembleia Legislativa gaúcha fez adesão, e foi o primeiro e único parlamento do país a fazer parte do movimento da ONU Mulheres. Posteriormente, em 2017, foi lançado o Comitê Gaúcho ElesPorElas, composto por empresas, universidades, instituições públicas, prefeituras e Câmaras Municipais, artistas, movimentos de mulheres e os clubes de futebol da dupla Grenal.