Quero ser o governador que vai gerar oportunidades, afirma Edegar Pretto ao UOL/Folha

“Eu acredito no Rio Grande, acredito muito no potencial do nosso estado, tenho conversado com pequenos, médios e grandes setores da nossa economia, com pessoas individualmente. E as pessoas não pedem favor. Pedem uma oportunidade. Quero ser o governador que vai gerar oportunidades e, principalmente, acabar com a fome no Rio Grande. Quando o presidente Lula acabou com a fome nacionalmente, o RS foi o primeiro estado que erradicou a fome. Hoje, nós temos 1,2 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade e vivendo abaixo da linha da pobreza no RS, ou seja, passando fome. Num estado que produz tanto, que tem um solo fértil e um povo trabalhador, não é possível a gente conviver com a fome”, afirmou hoje (13) o pré-candidato ao governo do RS, Edegar Pretto, em sabatina para UOL/Folha.

Perguntado sobre um possível golpe de Estado por parte de Bolsonaro, Edegar afirmou se tratar de uma cortina de fumaça por parte do governo para não tratar dos problemas reais que atingem a população como o desemprego, a inflação, a miséria e a fome. “Não acredito em golpe. As instituições estão fortalecidas e os setores progressistas estão mobilizados contra qualquer tipo de golpe. Uma força organizada e forte”, afirmou.

Pretto também diz que o Rio Grande do Sul trabalha para mobilizar os setores progressistas com muito diálogo e respeito. Lembrou que o ex-presidente Lula esteve no RS recentemente e pediu para o pré-candidato seguir mobilizado. Para Pretto, Lula está crescendo no Rio Grande do Sul, fruto também desse trabalho. “Buscamos um palanque único. Não falta a nós disposição para dialogar. O PT quer entrar numa coligação com o tamanho que tem, faremos nossa parte para o presidente Lula vencer no primeiro turno”, disse.

Sobre segurança pública e a violência no campo, Edegar Pretto destacou que o papel das forças de segurança é cumprir a ordem e a lei, mas também é preciso priorizar a negociação e a vida das pessoas. “Serei o governador de todos, mantendo o diálogo. É preciso conviver com as divergências”. Na oportunidade, também lamentou o falecimento do jornalista Dom Phillips, correspondente do jornal britânico The Guardian, e do indigenista Bruno Araújo Pereira. Destacou que Bolsonaro sempre incitou a violência e a impunidade. “Vemos isso todo o dia. Bolsonaro expressa ódio e rancor. Usa da violência para justificar o seu desgoverno”, apontou Edegar.

Ao ser perguntado sobre a evasão escolar do RS ser o dobro da média nacional, Edegar lembrou que, no estado, 83% das escolas não têm pátio e 14% não têm banheiro. “Hoje, nós não temos uma estrutura adequada para o acolhimento das crianças”. Edegar lembrou também que a pandemia afastou as crianças das escolas por dois anos, e que essas sofreram sem apoio do Estado e sem estrutura, como a falta de internet para estudar remotamente. “Temos que voltar a fazer investimentos pesados nas estruturas das escolas”.

No governo Tarso Genro, apontou Edegar Pretto, foram investidos recursos em mais de duas mil escolas. O salário dos professores era pago em dia e a categoria teve 76% de reajuste, além do pagamento de promoções atrasadas. Disse, ainda, que das 18 universidades públicas construídas nas gestões do PT, três foram no Rio Grande do Sul. “Já assumi o compromisso de que, além de uma escola acolhedora, as crianças em situação de vulnerabilidade terão café da manhã, almoço e lanche. Porque nenhuma criança aprende se tiver com a barriga vazia”. Ressaltou também que vai valorizar professores, professoras e servidores das escolas públicas em todo o estado.

Regime de Recuperação Fiscal

Pretto também atacou o Regime de Recuperação Fiscal imposto pelos governos Bolsonaro e Leite. Lembrou que o estado ainda não formalizou completamente adesão ao Regime, e disse se tratar de um péssimo negócio. Lembrou que o RS contraiu, em 1996, uma dívida de R$ 9,5 bilhões, e que o Estado já pagou quatro vezes mais o valor do débito. Também apontou que o Estado ainda deve R$ 73 bilhões. “Ou seja, pagamos quatro vezes o valor e ainda devemos oito”. 

Disse ainda que o Regime foi proposto pelo governo Leite no “apagar das luzes” e que a medida impõe um congelamento dos investimentos do Estado por dez anos. “É uma dívida injusta e impagável. Existem outros caminhos. Nos governos de Olívio Dutra e Tarso Genro nós pagamos a dívida com a União, não vendemos patrimônio público, não aumentamos impostos e investimos nos setores produtivos. Não atrasamos os salários dos servidores e nossa economia reagiu positivamente maior que o PIB nacional”, ponderou.

Lembrou que o governo Tarso renegociou e baixou o indexador da dívida de 6% para 4%, o que possibilitou uma redução de R$ 22 bilhões da dívida com o governo federal. “Ali, abrimos um novo caminho e comprovamos que era possível estabelecer uma nova relação com a União”. Apontou que é o povo gaúcho que vai pagar a conta pela adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal.

Trabalho contra o feminicídio

“Aprendi, desde pequeno com minha mãe, dona Otília Pretto, que a gente tem que praticar direitos iguais”, disse Edegar Pretto. Ele comentou que sua mãe faleceu inconformada por não ter recebido auxílio maternidade. “Mas ela foi uma grande lutadora para garantir na Constituição de 1988 o direito ao auxílio maternidade para as mães agricultoras”.

Disse, ainda, que desde o seu primeiro mandato trabalha para desconstituir a cultura machista e em favor do fim da violência contra as mulheres. “A sociedade segue sendo injusta especialmente para as mulheres”. 

Em 2011, Edegar Pretto criou a Frente Parlamentar dos Homens pelo fim da violência contra as Mulheres, e começou a liderar uma mobilização estadual. Desde 2017, passou a coordenar o Comitê Gaúcho Eles Por Elas, único chancelado pela ONU no Brasil.

Privatizações

Sobre privatizações, Edegar Pretto lembrou a privatização da CEEE e que hoje a companhia presta serviços de péssima qualidade. “Disseram que o preço da luz iria baixar e que o serviço iria melhorar, vimos justamente o contrário. O preço aumentou e o serviço piorou”. Disse também que irá olhar com “lupa” os contratos para ver as obrigações que as concessionárias têm. “Não somos contra privatizações. Somos contra ao fato de ficar bom só para um lado, que não leva em conta as pessoas e o lado social do serviço, mas visa somente ao lucro”. Também apontou que o Brasil precisa de empresas públicas fortes para a elaboração de políticas públicas voltadas à população.

Ainda na entrevista, Edegar Pretto destacou sua defesa ao direito à liberdade de imprensa, e que vai dialogar com os povos indígenas em busca de sustentabilidade e inclusão social.

A sabatina foi conduzida pelos jornalistas Kennedy Alencar e Tales Faria, do UOL, e Alexa Salomão, da Folha de S. Paulo.

Confira a íntegra da entrevista no facebook edegarpretto

 

Texto: Rafael Ely