Movimentos do campo cobram ações imediatas para enfrentar estiagem no RS

O deputado Edegar Pretto (PT), participou na manhã desta quinta-feira (06) da reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha, que teve o objetivo de avaliar os prejuízos no meio rural, ocasionados pela grave estiagem. A partir do encontro, será construída uma pauta conjunta de auxílio aos agricultores a ser tratada nos âmbitos federal e estadual. A reunião, liderada pelo deputado Elton Weber (PSB), teve a participação de deputados de diversos partidos e das principais entidades que representam a agricultura do Rio Grande do Sul.
Para o Edegar Pretto, as estiagens são recorrentes e portanto previsíveis. “O Governo do Estado já tinha o diagnóstico de que nós teríamos novamente a seca. Mas infelizmente o governo de Eduardo Leite ainda não assumiu a sua responsabilidade. Ele tem que chamar para si a coordenação de todas as tratativas que envolvem a pauta dos movimentos da agricultura familiar e da agricultura gaúcha de um modo geral. Durante 2021 nós convivemos com os efeitos da grande seca de 2020 e, infelizmente, tanto o Governo do Estado quanto o Governo Federal ficaram nas manchetes, ficaram nas boas intenções. De concreto, no dia a dia dos nossos agricultores, muito pouco ou quase nada aconteceu”, ressaltou o parlamentar.
As entidades representativas do campo apresentaram as suas pautas e foram unânimes ao destacar que as estiagens são recorrentes e que precisam de ações preventivas, efetivas e de longo prazo, por parte dos governos Estadual e Federal. Edegar Pretto lembrou de outros momentos em que as estiagens castigaram a produção gaúcha, mas as soluções do governo foram muito mais efetivas. “A gente não sobrevive do passado, mas no governo do Tarso Genro, nós colocamos a estrutura do estado a serviço da agricultura do nosso Rio Grande do Sul. Foi neste momento e com a soma de esforços do nosso governo em direção ao Governo Federal, que nós destinamos R$ 206 milhões para fazer frente à seca de 2012. Já em 2020, numa seca semelhante àquela, foram R$ 23 milhões, sendo que R$ 10 milhões foi do orçamento da Assembleia Legislativa. E até hoje não se sabe se aqueles poucos recursos foram investidos ou ficaram apenas no anúncio”, ressaltou.
Perdas foram quantificadas pela Emater
O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, disse que a situação é crítica e enumerou os diversos prejuízos dos agricultores, muitos deles irreversíveis, mesmo que venha a chover nos próximos dias ou semanas. As perdas estão presentes nas diversas culturas, mas a produção de milho e de leite são as mais atingidas. De 420 municípios produtores de milho, onde foram feitos levantamentos, todos apresentam perdas que variam de 6,8% a 90%. “A partir de setembro de 2021, as perdas no milho foram extremamente elevadas, levando em conta que o milho hoje é o nosso carro chefe do setor. Só no milho silagem a perda consolidada é da ordem de 57%, isso em volume, mas precisamos agregar a isso a qualidade que está muito baixa”, explicou.
Outro número extremamente significativo, segundo Rugeri, é na pastagem cultivada, que apresenta perda de 58%, o que impacta no segundo grande gargalo, a produção de leite, que no último levantamento do final de dezembro registrou uma perda de 1,6 milhão de litros por dia, em 15 mil propriedades. Já são 138 mil propriedades atingidas, em mais de 6.340 comunidades. As perdas gerais nas diversas culturas atingem hoje mais de 150 mil produtores.
“Na fruticultura, nós também temos uma perda em 6.857 propriedades, onde 50% é citricultura, 30% é viticultura”, destacou o diretor. O prejuízo também atinge cerca de 9 mil produtores de fumo e 1.383 da olericultura, que abrange uma série de espécies de hortaliças (folhas, inflorescências, raízes, caules e frutos).
O que dizem os movimentos do campo
Adelar Pretto, MST – É inadmissível que o Estado diga que não tem dinheiro, que venha novamente com esse papinho de perfurar poços e construir açudes, isso não resolve. É preciso pensar naquele agricultor que não planta milho e soja e não financiou e que não tem irrigação para produzir alimentos. Precisamos de um recurso de subsistência, porque tem gente que vai passar fome na roça, a partir de agora. Isso é urgente e necessário.Eu quero fazer uma denúncia de que existem 23 milhões, a fundo perdido, do BNDES, à disposição do Rio Grande do Sul, faltando apenas um diálogo por parte da Secretaria da Agricultura.
Gervásio Plucinski, Unicafes – Os agricultores estão vivendo um momento de muita dificuldade, principalmente aqueles que produzem alimentos e que não estão tendo apoio algum. As medidas anunciadas até agora, pelo Governo Federal, e principalmente, pelo Governo do Estado não atendem às nossas necessidades. As nossas pautas passam pela repactuação de dívidas, novos créditos de emergência para o agricultor poder sobreviver, crédito para que o agricultor possa se alimentar, temos o tema da alimentação dos animais que está muito presente, temos também o tema da água que precisa ser pensado a longo prazo, não só quando vem a estiagem. Entendemos que o Governo do Estado tem que chamar para ele essa responsabilidade, formar um comitê único para dialogar com o conjunto das entidades do estado e ser essa ponte também com o Governo Federal, chamá-lo para a responsabilidade.
Miquéli Schiavon, MPA – Já faz uns três anos que o conjunto das organizações vem demandando o Governo do Estado com uma série de pautas e a principal decorrência é em relação a seca, todos os anos a gente sofre  com a seca, apresenta as pautas e o governo continua praticamente inoperante. No ano passado a gente se antecipou ao problema e construimos uma pauta, junto ao Partido dos Trabalhadores, que é o PL 115, que resume o conjunto de todas essas pautas. A principal indignação e demanda dessa reunião é que o Governo do Estado assuma para si a responsabilidade, que é dele, na figura do governador, porque se esse PL já tivesse sido implementado, boa parte desses problemas da seca, hoje, estariam contemplados. Então, a principal demanda é que o governo coloque em andamento o PL 115 que está na Assembleia Legislativa. Esse Programa Avançar foi lançado sem discutir com as entidades, boa parte das demandas não estão contempladas e muitas delas não serão executadas em função do período eleitoral.
Douglas Cenci, Fetraf – Todos que estão aqui conhecem a realidade do campo e sabem o quanto nós temos sofrido neste último período. E não é só por causa dessa estiagem, já faz três anos que os agricultores sofrem com esse problema. A situação se agrava na medida que os agricultores não conseguem encontrar um alento no conjunto das políticas públicas. Nós precisamos tratar dessa situação com muita responsabilidade, precisamos fazer um encontro de pautas com as outras entidades, mas é necessário que o estado do Rio Grande do Sul estabeleça um processo de diálogo, seja com os deputados ou com as entidades. Nós estamos propondo a criação de um comitê que possa reunir todos esses setores para avaliar a situação e as medidas que precisam ser tomadas de forma conjunta. Não há solução de forma isolada. Estamos aguardando uma reunião com o Governo do Estado, que nos foi prometida na Expointer e até agora não saiu. É urgente que o nosso estado decrete situação de emergência.