Lula diz que apoiará Edegar Pretto para o Governo do RS em 2022

O apoio explícito e bem-humorado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Sul, Edegar Pretto, foi manifestado nesta terça-feira (30), em entrevista ao Programa Atualidade, da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. “Eu vou aí fazer campanha para o Edegar Pretto”, disse Lula.

Para Edegar Pretto, este é um importante respaldo desde que foi anunciado como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores do RS. “E nós faremos campanha para você presidente. Juntos vamos transformar o Brasil e o Rio Grande de novo. Vamos construir o palanque mais amplo para eleger Lula Presidente”, salientou Pretto em suas redes.

Em mais de 25 minutos de entrevista ao vivo, Lula respondeu perguntas sobre  temas que envolvem a gestão pública do Estado brasileiro e que impactam diretamente na vida da população. Falou sobre inflação, em especial sobre os preços dos alimentos e dos combustíveis, garantindo que se voltar à presidência não manterá a atual política de paridade dos preços do petróleo, que têm aumentado descontroladamente.

“50% da inflação, hoje, está subordinada aos preços controlados pelo governo. Portanto, o governo tem muita responsabilidade pela inflação, pelo preço da energia, pelo preço do gás, pelo preço da gasolina, pelo preço do óleo diesel. A crise na questão do alimento é porque tem uma parcela menor das pessoas comprando. Por conta da seca em algumas regiões e da falta de financiamento em outras, cai um pouco a produção agrícola do país. Nós temos que reforçar a agricultura familiar, colocar mais dinheiro, fazer mais financiamentos”, detalhou.

Ainda sobre o preço e a falta de alimentos, lembrou da crise de 2008. “Nós descobrimos que não tinha crise de alimentos, a crise era no mercado futuro, que estava comprando muitas coisas que ainda não estavam produzidas. Nós criamos uma política chamada Mais Alimentos. As empresas agrícolas do Rio Grande do Sul, lembram, que nós vendemos naquele ano 80 mil tratores, para salvar a indústria e criar uma política de melhoria da produção da agricultura familiar. A crise acontece para você resolver”, afirmou Lula.

Ao falar dos seus dois mandatos e da gestão da presidenta Dilma, relatou as inúmeras conquistas feitas nos governos petistas, dizendo que quando assumiu pela primeira vez, o Brasil tinha uma dívida de mais de U$ 30 bilhões de dólares com o FMI, uma inflação de mais de 12% e desemprego de 12% da população. Disse ainda, que não só recuperou o Brasil, mas aumentou o salário mínimo em 74%, nos oito anos de governo, fez o maior programa de construção na habitação, fez a transposição do Rio São Francisco. Também foi nesse período que criou o maior conjunto de políticas econômicas, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para Lula , o Rio Grande do Sul nunca recebeu tantos investimentos do Governo Federal quanto os do repasse do PAC 1 e 2, que investiu  R$ 46,8 bilhões de reais, na primeira fase, e a segunda fase, que ficou pronta no seu governo para  ser executado no governo Dilma, tinha previsto R$ 70 bilhões de reais para o RS. “Eu convido vocês para fazer uma pesquisa, para saber se na história republicana deste país teve um partido e um governo que colocou mais dinheiro no Rio Grande do Sul do que nós. Em estrada, em educação, em ciência e tecnologia, em água, em transporte. Nós fizemos aquilo que nunca tinha sido feito no RS”, pontuou.

“A marca do PT é a maior política de inclusão social da história deste país, é a maior geração de empregos, é a maior reserva internacional da história deste país,” afirmou Lula ao ser perguntado sobre algumas pessoas do partido que foram processadas e punidas. Com o importante legado de ter conseguido tirar o Brasil do Mapa da Fome e de ter criado o Bolsa Família, fez uma afirmação que devolve a esperança, principalmente para os mais pobres. “É possível consertar esse país, é possível fazer muitas coisas, é possível gerar emprego, é possível gerar benefício para o povo, é possível fazer casa, é possível cuidar do povo”, garantiu.

O ex-presidente ainda falou sobre saídas para a crise, da dívida externa, relações internacionais, educação, participação popular, democracia e possibilidades de alianças políticas. Quanto ao atual governo, fez uma crítica contundente. “O Brasil vive um momento de desesperança, um momento de letargia, um momento de ódio, um momento de descrédito na política. E eu tenho andado por aí para tentar mostrar para as pessoas que fora da política você não tem saída para o Brasil. Ou a gente resolve isso com políticas, ou a gente resolve isso organizando os partidos políticos, ou a gente resolve isso elegendo pessoas que tenham o compromisso político com a sociedade brasileira, ou a gente vai de vez em quando fazer aventuras. E vocês sabem que aventura não dá certo e Bolsonaro é um exemplo disso”, finalizou Lula.