Edegar Pretto diz que a cultura precisa de uma política de Estado

“A cultura precisa de uma política de Estado, com orçamento garantido e elaborada por quem conhece o segmento, pois essa é uma área de extrema relevância. Ela gera emprego, gera renda e impulsiona a nossa economia. E a cultura tem outro ponto importantíssimo, é ela que leva alegria para as pessoas, desenvolve o pensamento crítico e muda o destino de muitos jovens”, declarou o deputado e pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Edegar Pretto, em encontro com profissionais da área. O evento ocorreu na noite desta segunda-feira, no Clube de Cultura, espaço que fica no bairro Bonfim e é considerado símbolo de resistência. Fundado há mais de 70 anos, o Clube de Cultura é patrimônio cultural de Porto Alegre, por tombamento municipal.

Artistas, escritores, intelectuais diversos, gestores e produtores culturais apresentaram a Pretto os principais desafios enfrentados pelo setor, um dos mais afetados pelas restrições ocasionadas durante a pandemia da Covid-19. Os trabalhadores de atividades artístico-culturais distintas fizeram exposições semelhantes. Todos cobram dos governos estadual e federal incentivo, política pública, investimentos para que todos tenham acesso à cultura e o reconhecimento da importância da cultura como uma das principais ferramentas para o desenvolvimento social das comunidades.

O MC do Hip Hop, Rafa Rafuagi, trouxe exemplos colombianos para que possam ser trabalhados em projetos semelhantes no RS. O jovem ativista social também apontou alguns caminhos que poderão ser explorados para captar recursos, como acordos com judiciário para fortalecer a cultura e mudança na legislação referente ao atendimento na socioeducação.

“Eu vejo como fundamental a gente replicar o case que existe em Medellín, na comuna 13 e na comuna 8, que fez não somente Medellín entrar no mapa da economia da Cultura, como também pacificou uma cidade que há 40 anos era considerada a capital da cocaína no mundo inteiro. Também pode-se reverter recursos do judiciário para dentro de projetos estratégicos nas comunidades, criando um grande circuito e um pacto histórico como o Gustavo Petro está fazendo na Colômbia. É fundamental também para o Rio Grande do Sul alterar a legislação de socioeducação para que, na medida que o jovem não reincida, o recurso que antes o custeava seja revertido para a sua comunidade”, completou Rafuagi.

O compositor, cantor e produtor musical, Nelson Coelho de Castro, foi reflexivo e provocativo ao dizer “como estamos?”, convidando todos a pensar sobre o porquê de tantas dificuldades. Ele apontou a necessidade de o Governo do Estado utilizar emissoras de comunicação já existentes para promover a música e a cultura de um modo geral. “O governo do Estado tem a FM cultura e a TVE, que são dois grandes pólos difusores de cultura, que podem não apenas divulgar a nossa música, mas a nossa arte em todos os setores. Podem usar esses dois aparelhos que estão prontos para que as pessoas possam trabalhar lá dentro. Isso é tão fundamental quanto um agricultor necessita de terra ou de um financiamento para plantar. Nós temos alguma terra pronta, que são a TVE e a FM Cultura, que o governo anterior tentou dizimar”, lamentou.

Uma política estruturante que traga garantias de renda para os artistas foi uma das demandas apresentadas pela atriz e produtora cultural, Adriane Azevedo, que também é conselheira fiscal do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do RS (SATED/RS). “Precisamos de política cultural que priorize a descentralização e que leve a arte onde ela não chega. Que dê fomento para os artistas, qualificação e valorização na profissão. Isso pode ser feito através dos grupos já constituídos, dos espaços que já existem, dos festivais e mostras que já estão sacramentados no estado. Então, dar dinheiro para esses eventos, como o Porto Alegre em Cena, a Virada Cultural é valorizar o artista profissional”, explicou.

Também estiveram presentes no evento a deputada estadual, Sofia Cavedon, o ex-ministro e ex-secretário-executivo do Ministério da Cultura, Vitor Ortiz, o secretário de Cultura e Relações Internacionais de São Leopoldo, Pedro Vasconcellos, pré-candidatos às eleições de 2022, a secretária de Cultura do PT de Porto Alegre, Margarete Moraes, e o secretário de Cultura do PT-RS, Joel Santana.

Texto: Silvana Granja
Foto: Rafael Stedile