Comitês Populares de Lutas são inaugurados com a presença de Edegar Pretto, em Porto Alegre

Foi inaugurado nesta quarta-feira (06) o Comitê Popular de Combate à Fome e pela Cidadania, que fica no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. A nova instituição terá o papel de estruturar e centralizar diversas experiências de organização popular na região, que já conta com outros 12 comitês. O evento, que  ocorreu no Ginásio da Paróquia Santa Clara, contou com representação de diversos movimentos ligados à agricultura, à educação, ao Conselho Popular, às cozinhas comunitárias, à reciclagem, aos povos indígenas e à cultura, já que só no bairro existem quatro escolas de samba.

O pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Edegar Pretto, tem o combate à fome como uma das suas principais bandeiras. Para ele, é inadmissível que a população do Rio Grande do Sul, estado conhecido nacionalmente pelo seu solo fértil e facilidade de cultivos, esteja passando fome e pagando um dos maiores valores pela cesta básica do país. “O nosso estado e o Brasil vivem um momento de extrema dificuldade. A Região Metropolitana de Porto Alegre é a segunda do país onde mais gente entrou para a extrema pobreza. São 3 milhões de gaúchos e gaúchas que estão sobrevivendo com no máximo 500 reais por mês”, salientou.

A representante do novo comitê, Saraí Brixner, que também é moradora da região, disse que neste momento histórico uma das maiores preocupações é combater a fome e resgatar a dignidade da população local. “O Brasil voltou para o mapa da fome. Aqui na Lomba do Pinheiro a gente viu que este é um dilema muito grande”, argumentou.

Saraí acrescentou que a experiência das cozinhas comunitárias mostrou que esses espaços não só alimentam fisicamente as pessoas, mas garantem espaços de  mobilização, de luta, de organização social e de resgate da cidadania. “Nós não queremos só combater a fome. Queremos também lutar para que as pessoas tenham uma condição mais digna”, explicou, ressaltado a importância de diversos movimentos estarem organizados nesta causa, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

João Pedro Stedile, líder nacional do MST, participou do evento de forma virtual. Ele disse que o Brasil vive a pior crise dos últimos 500 anos e que os brasileiros estão pagando o preço dessa conta. Argumentou também que essa situação traz consequências sociais, como o aumento do desemprego e da fome. “A saída é política. E por isso nunca antes na história da democracia brasileira uma eleição foi tão importante como essa. A eleição se transformou na saída para as crises sociais e econômicas, com a possibilidade do povo brasileiro construir um novo caminho e um novo projeto, que tenha garantido o direito à alimentação, à saúde, à educação”, apontou.

 

Comitê Popular de Luta do bairro Farrapos

Também na noite da quarta-feira, Edegar Pretto participou da inauguração do Comitê Popular de Luta do Bairro Farrapos, que funcionará como um espaço de integração para as pessoas da comunidade, trocas de experiências políticas e sociais, além de um centro cultural. “Nós queremos fazer aqui projetos de formação, de geração de emprego e renda, projetos culturais, entre outros. Ele vai servir para a nossa organização e para as lutas da comunidade”, explicou o coordenador do comitê, Rodrigo Schleyo.

Conforme o coordenador, o local também possui cozinha comunitária e conta com o apoio de comerciantes locais e do MST. “Nós começamos neste final de semana a primeira edição da cozinha, fizemos uma sopa para 50 pessoas e o objetivo é ampliar. A nossa ideia é fazer toda semana, porque tem muito povo pobre aqui na região, que muitas vezes não tem o alimento básico, ou que muitas vezes precisa escolher entre comprar um remédio ou comprar comida”, lamentou.

Para Edegar Pretto, as organizações sociais e populares têm um papel fundamental para o processo de reconstrução da dignidade dos que mais precisam. Disse também que é necessário resgatar um Estado que cuide das pessoas, e que elas tenham oportunidades. Falou ainda que neste momento não se pode perder a esperança. “Temos que nos organizar e batalhar para reconstruir o estado e o país.”