Combate à fome: MTST inaugura cozinha solidária em Porto Alegre

Em contraponto à política de miséria promovida pelo Governo Bolsonaro, organizações populares do Rio Grande do Sul seguem mobilizadas numa grande corrente de solidariedade para combater a fome. Nesta quinta-feira (15), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) inaugurou o novo espaço da Cozinha Solidária da Azenha, situada na Avenida Azenha, nº 608, em Porto Alegre.

O MTST atua para garantir o direito básico da população à alimentação, sobretudo num momento em que mais de 33 milhões passam fome no país. O novo espaço na capital gaúcha serve cerca de 220 refeições gratuitas por dia, e também será destinado à cultura popular, formação política e outras atividades.

O deputado Edegar Pretto participou do ato, ao lado do líder nacional do MTST, Guilherme Boulos; da ex-deputada Manuela D’Ávila, entre outras lideranças. O parlamentar saudou o espírito militante e toda solidariedade que sempre moveu milhares de pessoas, em especial diante do agravamento da situação do país na pandemia. Ele disse que a luta dos Sem Teto se soma a diversas outras ações da sociedade e movimentos sociais para ajudar o povo brasileiro. “Nós abraçamos essa causa. Combater a fome não é dar esmola, mas dividir o que a gente tem”, pontuou.

Edegar Pretto ainda lembrou de ações desenvolvidas com o Instituto E se fosse você?, coordenado por Manuela D’Ávila, em parceria com cooperativas da agricultura familiar, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea RS). “Criamos uma grande rede de solidariedade que levou alimentos para as periferias de todo o Rio Grande do Sul. Não podemos aceitar que um estado como nosso, onde tudo o que se planta dá, conviva com a fome e a miséria”, manifestou.

Guilherme Boulos, que também coordena a Frente Povo Sem Medo, agradeceu e citou várias entidades e movimentos sociais que trabalham em cozinhas solidárias espalhadas pelo país, e que cumprem um importante papel para garantir uma refeição às pessoas que não têm o que comer. Ele destacou que, se não fosse o trabalho desenvolvido nessas cozinhas, muita gente não almoçaria. “Sabemos que as cozinhas solidárias não vão resolver o problema da fome no Brasil. Por isso, já conversamos com o ex-presidente Lula para que a ideia seja ampliada e se torne política pública em nosso país, como uma medida urgente para combater a fome”, informou.

Boulos ainda acrescentou que as cozinhas solidárias também servem como espaço  não só para distribuição de alimentos, mas para a realização de cursos pré-vestibulares, de alfabetização e criação de bibliotecas. “O que se faz aqui é retomar a capacidade de se indignar com a dor dos outros e estimular uma sociedade que se organize, não pelo individualismo, mas pela solidariedade”, concluiu.

Manuela D’Ávila também destacou a iniciativa do MTST e a relevância da cozinha solidária para alimentar as pessoas que vivem e circulam na região da Azenha. Disse que o novo espaço tem um símbolo contra a falta de políticas públicas e de oportunidades para o povo brasileiro. Segundo ela, a sociedade cumpre o papel que o Estado deveria cumprir. “A cozinha mostra que existem saídas coletivas baseadas na solidariedade, mas ao mesmo tempo também mostra a ausência dos governos estadual e federal”, avaliou.

O vereador Pedro Ruas (PSOL) afirmou que nunca houve no Brasil e no RS um período de tanta fome e miséria. Ressaltou que o trabalho realizado pela cozinha solidária é extraordinário, porque representa um mínimo de dignidade que todos e todas devem proporcionar aos que mais precisam, já que, segundo ele, os governos em nível estadual e federal não o fazem. “Hoje estamos inaugurando o que permaneceremos ajudando”, declarou.

A Cozinha Solidária da Azenha funciona há nove meses, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h30. A população pode contribuir doando, direto no local, alimentos, itens de higiene e limpeza.

Também participaram da inauguração do novo espaço as vereadoras de Porto Alegre Laura Sito (PT), Daiana Santos e Bruna Rodrigues, ambas do PCdoB; o vereador Matheus Gomes (PSOL); os coordenadores da cozinha, Eduardo Osório e Cláudia Ávila; o presidente do Consea RS, Juliano de Sá; e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e MST.

 

Texto: Silvana Granja

Foto: Rafael Stedile