“As pessoas estão se endividando para se alimentar”, lamenta Edegar Pretto em entrevista à TV Pampa

Em entrevista ao Programa Pampa Debates da TV Pampa de Porto Alegre, nesta terça-feira (10), Edegar Pretto, pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Sul, observou que a política adotada pelos atuais governos estadual e federal tem impactado de forma negativa a qualidade de vida no país. “As pessoas estão angustiadas com o seu futuro. Elas querem planejá-lo e não têm condições. Há uma insegurança e muitas dificuldades. Antes, as pessoas faziam dívidas para comprar uma geladeira, uma casa nova, para trocar de carro. Agora, elas estão se endividando para se alimentar. Tem gente que vai ao mercado e financia o rancho de um mês em três, quatro vezes”, relatou.

A conversa de Pretto foi com o comunicador Paulo Sérgio Pinto, e fez parte de uma série de entrevistas organizada pela emissora com os pré-candidatos ao governo gaúcho. Ainda nesse contexto da piora das condições da população, o petista argumentou que a região Metropolitana de Porto Alegre tem 1,2 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, com uma renda mensal de R$ 275. Ele lamentou que o executivo estadual não tenha priorizado a ajuda às famílias que estão em vulnerabilidade. “O governo comemora um superávit e faz poupança com um estado passando fome. Ele tem que estar mais perto das pessoas e dos setores produtivos”, apontou.

Pretto também criticou a política estabelecida na Petrobras, que aumentou 15 vezes o preço dos combustíveis no período de um ano. “Quem define a política da Petrobras é o presidente da República ou quem ele indicar. Como se trata de uma empresa pública, tem que estar preocupada com o desenvolvimento do país, com a geração de empregos. Mas agora, no governo Bolsonaro, a lógica é: quanto mais lucro, mais dinheiro para os acionistas”, comentou.

Com uma hora de duração, a entrevista passou por diversos outros temas, como a gestão de Pretto na presidência da Assembleia Legislativa, em 2017, e a dívida do Estado com a União, que, para ele, é injusta e impagável. Também foi abordado o legado de Adão Pretto, pai de Edegar falecido em 2009, o primeiro pequeno agricultor a ser eleito deputado para o parlamento gaúcho.

Sobre a sua pré-candidatura, Pretto frisou que representa uma troca geracional no PT e que ela é resultado do seu trabalho e da sua capacidade de diálogo, que o fizeram ser o mais votado do partido nas três eleições em que participou, além de ser escolhido, por unanimidade, para representar a sigla na disputa ao Piratini. “É uma grande responsabilidade que carrego”, resumiu.

A respeito da composição de chapa para as eleições, Pretto lembrou que já tem o apoio do PV e PCdoB e que mantém diálogo com outros partidos do campo progressista. “Se depender do PT, estaremos juntos já no primeiro turno. Se não for possível ainda no primeiro, estaremos juntos no segundo. Eu serei o organizador do palanque do Lula aqui no estado”, ressaltou, acrescentando que recentemente teve um encontro com o ex-presidente em Brasília, e que ele virá em breve ao RS para dialogar com lideranças políticas, representantes de movimentos sociais e de setores produtivos.

Foto: Rafael Stedile