Em São Borja, Juliana e Edegar prestam homenagem a Leonel Brizola 

Movimento Coração Gaúcho esteve na terra dos presidentes para reverenciar o líder trabalhista

As rosas deixadas em cima do túmulo simbolizam a coragem e a luta de uma vida dedicada à política, e o domingo (21) foi dia de honrar e homenagear Brizola. Hoje completam-se 22 anos da morte do pai da legalidade, e a família da pré-candidata tem o costume de todos os anos visitar o túmulo de Leonel, mas neste ano de eleição o significado se tornou ainda mais forte.

Edegar Pretto (PT), pré-candidato a vice- governador, agradeceu a oportunidade. “É uma imensa honra estar aqui com vocês, nós do PT, participando desta homenagem da vida e da história. Perante o túmulo do teu avô, eu estou aqui para dizer que estou de corpo e alma nessa caminhada. Tenho minha origem no trabalhismo, meu pai foi colega do Lupi. O que marcou o nosso líder Brizola foi a coragem de lutar pela nossa soberania, fazer da educação a principal bandeira e a luta incansável pela democracia. Querido Pimenta, também sonho com este dia: te ver chegando aqui com o presidente Lula, na terra dos presidentes, e a neta do Brizola de cabeça erguida como governadora”, finalizou.

Juliana Brizola (PDT), neta e pré-candidata ao Governo do Estado, falou do dia 21 de junho. “A gente olha pra trás e pensa: parece que foi ontem que essa São Borja estava lotada de gente para dar adeus ao meu avô. Ele, que é filho de Carazinho, mas escolheu descansar nessa cidade. E quando eu venho aqui, eu também lembro muito da minha avó, e ela tinha um jeito frágil, mas ela era muito forte. Ela passou por um exílio e eu falo dela, porque eu acho que hoje, nós mulheres, passamos por um momento muito difícil, mas porque é difícil ser mulher numa sociedade patriarcal, machista. É mais difícil ainda ser mulher na política. Sou muito grata pela oportunidade, eu acredito, Lupi e Pimenta, que vocês que foram grandes articuladores dessa aliança, o meu avô colocou a mão aqui. Ele foi um gaúcho que conquistou os cariocas, ele levou muito do povo gaúcho para o Rio de Janeiro. A gente precisa trabalhar em um ambiente de união neste Estado para voltar a crescer. Esperem cordialidade, diálogo. Não queremos ódio, queremos semear a paz. Eu costumo falar uma frase dele: ‘O primeiro tiro não vai ser nosso, mas o segundo, o terceiro, com certeza’”, finalizou, e sob aplausos, foram colocadas rosas onde repousa Leonel de Moura Brizola. Estiveram presentes para prestar homenagem vários representantes e pré-candidatos. 

Acompanhado pela emoção, o ritual foi liderado por Vieira da Cunha (PDT), coordenador da pré-campanha, que fez as honras de conduzir a cerimônia. “Este é um ritual que a família trabalhista já cumpre há mais de duas décadas. Baseado no ensinamento do líder Brizola, que nos trazia aqui e depois para a Praça XV, onde estão os restos mortais de Getúlio Vargas. Ele dizia que era o momento de energização para nos tornar mais fortes para os desafios. E nós estamos prestando essa homenagem. Nos unimos aqui e agora vamos ouvir seu fiel escudeiro, que Brizola escolheu, Carlos Lupi”, chamando o líder nacional do PDT para fazer o uso da palavra.

Lupi lembrou o ex-governador. “Ele tinha adoração pelo número 22, que era a data do nascimento dele. Este 22 vai representar o resgate que você vai fazer no Piratini, Juliana. De coragem, ele enfrentou o poderio norte- americano, fez tantas escolas. Sempre lembrava a infância, a dificuldade que teve para estudar, por isso ele colocou como objetivo ajudar outras crianças a estudarem. Lembrar Brizola não é morte, é vida. Não é tristeza, é alegria. Hoje, Juliana, você vai cumprir uma missão: de seguir o legado do seu avô, e junto com este homem, o Edegar Pretto, e o meu amigo Pimenta, com toda sua luta. O trabalhismo se reinventa, não é fácil, mas vamos ganhar. Não vai ser fácil reconstruir, mas vamos conseguir. Nunca o Governo Federal investiu tanto no Rio Grande do Sul, e graças ao governo Lula foi possível reconstruir nosso Estado. Nós estamos junto com Lula, como Brizola ficou. Obrigado Juliana por emprestar o teu nome, a tua luta. Você não sabe o orgulho que eu vou ter em subir aquela escadaria do Piratini no ano que vem.” 

Paulo Pimenta, pré-candidato ao senado, também se manifestou. “Me sinto muito honrado de participar hoje desta homenagem junto com a família trabalhista. Nós estamos fazendo história, os nossos ídolos devem estar muito orgulhosos dessa construção que nós estamos fazendo. Os setores extremistas da direita não entendem como a gente homenageia pessoas que já morreram. Quem eles poderiam visitar? Quem serviria de orgulho de coragem, soberania e luta democrática? Por isso, resgatar a memória é uma maneira de projetar o futuro. A Juliana representa esse legado, história, junto com Edegar Pretto, que é o mais preparado do nosso partido. Nós oferecemos o melhor que nós temos. Quero concluir dizendo pra vocês que ano que vem esse espaço será pequeno, com o presidente da República, com a governadora, com o vice, e eu na condição de senador eleito”, finalizou.

Grande ato de unidade e homenagem

Em seguida, todos participaram de um grande ato entre os partidos em um salão da cidade. Lupi ressaltou a importância do dia para a política brasileira. “Eu vi o Brizola olhando pro Lula e passando o bastão da liderança. Vargas pensou nos pobres antes da igreja. Ele deu o direito ao voto para as mulheres. Criou a Petrobrás, a visão patriota. Nós temos o nacionalismo que defende a nação. Nós, trabalhistas, somos marcados por essa história, uma parte da sociedade que representa os oprimidos, o Lula incorporou isso que o Getúlio representava. Este ato aqui, que incluiu ir ao cemitério, representa que nós temos orgulho de quem veio antes. Vocês estão resgatando o fio da história, aqui no Rio Grande do Sul nós vamos ser exemplo para o Brasil”, comemorou o líder nacional do PDT, Carlos Lupi.

Juliana acrescentou.“É muito difícil governar para o povo, nós teremos muitos desafios. E hoje eu agradeço ao Edegar pela grandeza. Grandeza dele e de todos vocês do Partido dos Trabalhadores que me aceitaram”, finalizou Brizola.

Edegar comemorou a união dos partidos em prol de um projeto único. “O que nós construímos essa aliança não foi fácil. Em 1998 o Brizola se colocou ao lado de Lula como vice para a República, esse é um dos motivos. O outro é que nós vivemos em um projeto coletivo, não há lugar para vaidade. E nós juntamos oito partidos que vão com força e vontade. E nós vamos garantir a vitória de Manuela e Pimenta no Senado. E o Lulinha que se prepare: nós seremos incomodativos! Nós vamos lutar por tudo que temos direito!”, concluiu Pretto.

Texto: Carol Zogbi 

Imagens: Debora Beina

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