Campanha lançada essa semana pelo Comitê Gaúcho Eles por Elas retrata a dor dos órfãos do feminicídio
A sombra de uma mãe deixa saudade. Uma infância também é interrompida quando a criança precisa crescer sem quem mais deveria estar presente. Essa é a ideia da campanha que o Comitê Gaúcho Eles por Elas – HeForShe, movimento global de solidariedade criado pela ONU Mulheres, lançado essa semana nas redes, tem como objetivo: chamar atenção para os impactos invisíveis do feminicídio na vida de crianças com mães mortas e pais presos.

A violência contra a mulher não termina quando a mulher morre, outras vítimas seguem sofrendo, por meio do vazio deixado por quem não está mais ali. Edegar Pretto, coordenador da campanha Lula e pré-candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul, destacou que os feminicídios deixam marcas em toda a família. “Eu sou Articulador Nacional do HeForShe e nesta semana o Comitê Gaúcho lançou uma campanha pelos órfãos do feminicídio. Em quatro anos 660 crianças ficaram órfãs de mães que morreram e de pais que foram presos. O feminicídio não acaba só com a vida das mulheres, mas com os filhos. No nosso governo haverá um selo contra o machismo, contra a misoginia!”, declarou.
O trabalho de conscientização do HeForShe amplia o entendimento sobre os impactos sociais e a responsabilidade dos homens na denúncia de violência contra a mulher. Dessa forma, o feminicídio deixa de ser visto como uma tragédia restrita a um casal e passa a ser compreendido como uma violência que interrompe infâncias, modifica famílias e deixa marcas permanentes na sociedade. “A campanha busca mostrar a exata dimensão da tragédia que o feminicídio causa nas famílias, em especial, das crianças. As marcas são profundas e atravessam para sempre a vida das crianças”, destacou Thedy Corrêa, Coordenador do Comitê Gaúcho Eles por Elas.
O Estado também tem o papel fundamental de educar, fiscalizar e, principalmente: proteger. Dos 497 municípios, apenas 24 oferecem delegacias especializadas em atendimento à mulher, e no horário comercial: das 8h30 às 18h, apenas uma funciona 24h. Em muitos lugares as vítimas precisam andar mais de 100 km para chegar a uma cidade para receberem atendimento.
A ampliação do uso de tornozeleiras eletrônicas, lei de 2014, criada por Edegar Pretto quando era deputado estadual e pioneira no país, também é fundamental para a prevenção de assassinatos.
Em 2025, 80 mulheres morreram apenas pelo fato de serem mulheres, até julho deste ano já foram 41 feminicídios. Políticas públicas que invistam na educação básica são essenciais para uma mudança comportamental da sociedade, principalmente dos homens, como ressalta Pretto. “A minha caminhada no combate a violência contra a mulher vem de anos. E eu falo do lugar do homem, nós precisamos mudar a nossa postura. O programa HeforShe, da ONU Mulheres, o qual eu represento como Articulador Nacional, veio exatamente para nos colocar ao lado das mulheres. Toda a minha caminhada é para mobilizar os homens, vocês, mulheres, já lutam há anos”.
O Rio Grande do Sul concentra 38,8% das mortes por feminicídio de toda a região Sul. Enquanto a média nacional subiu 4,7%, o índice no estado saltou 11,1% (entre 2024 e 2025). Em 2025, 116 filhos e filhas de até 18 anos de vítimas assassinadas por homens ficaram órfãos.
Toda mulher vítima de feminicídio deixa uma história interrompida e muitas outras marcadas para sempre. A violência contra a mulher é responsabilidade de todos, e ela não é apenas física, normalmente este é o último estágio antes do feminicídio. Ela pode começar sutil, com manipulação e violência emocional, psicológica, controle financeiro, patrimonial ou sexual. Se você presenciar ou souber de um caso de violência de gênero, denuncie. Ligue 180 ou pelo whatsapp Maria da Penha.
A Lei Maria da Penha completa 20 anos na sexta, 7 de agosto. Sancionada durante o governo Lula, os governos da presidenta Dilma Rousseff foram fundamentais para a consolidação, expansão da rede de atendimento e tipificação do crime de feminicídio. A iniciativa já auxiliou muitas mulheres vítimas no Brasil, e evitou que casos de violência terminassem em tragédias familiares.
Texto: Carol Zogbi




