Edegar Pretto e Manuela D’Ávila lançam Caravana das Mulheres pelo Rio Grande para apresentar medidas de combate aos feminicídios no RS

Time Lula retoma as caravanas e coloca o pé na estrada em defesa da vida das mulheres

A falta de políticas públicas e de proteção por parte do Estado contribuíram para a morte de 80 mulheres em 2025, e só no primeiro semestre deste ano já foram registrados 42 feminicídios. Em função disso, a coligação que reúne PT, PSOL, PDT, PSB, PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e Avante retomou as caravanas com a Caravana das Mulheres. No roteiro, o pré-candidato ao Governo do Estado Edegar Pretto, a pré-candidata ao Senado Manuela D’Ávila, e pré-candidata a suplente ao senado Tamyres Filgueira (PT) contam com a companhia das deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL), Denise Pessôa (PT); as deputadas estaduais Luciana Genro (PSOL), Bruna Rodrigues (PSB); Reginete Bispo, deputada federal suplente; o deputado estadual Matheus Gomes (PSOL) e representantes de movimentos e organizações.

O movimento apresenta o programa como diferencial eleitoral frente à emergência de segurança pública no RS, estabelece diálogo direto com movimentos sociais e lideranças femininas locais e reforça a viabilidade técnica da proposta. “12 Compromissos pela Vida das Mulheres e Meninas Gaúchas” é o único plano estruturado de prevenção e enfrentamento à violência de gênero entre todas as candidaturas ao Governo do Estado. 

A primeira parada foi em Lajeado. Denise Goulart, do Diretório do PT de Estrela, ressaltou a importância do encontro feminino. “É  muito bom estar representando as mulheres do PT. As estatísticas mostram que os abusos vêm dos familiares e muitos não denunciam por medo. Por isso, precisamos de mulheres como a Manuela.”

Tamyres também comemorou o encontro. “Aqui a gente é um time. Escutar essas demandas é muito importante. Este é o momento para organizar a nossa luta. E devemos lembrar que das seis principais chapas ao senado nós somos as únicas que temos presenças negras”.

O único homem a falar foi o coordenador da campanha Lula ao RS e pré-candidato a vice-governador, Edegar Pretto. “Estou feliz representando a nossa chapa e especialmente nossas companheiras. Eu quero parabenizar e reconhecer a sensibilidade da nossa próxima senadora por organizar a Caravana das Mulheres pelo Rio Grande e por ter começado aqui no Vale do Taquari, que passou por tantas dificuldades devido às chuvas”.

Manuela convocou todas para seguirem na luta, que ainda tem 60 dias.  “A gente quer viver em um mundo mais justo e solidário, um mundo onde mulheres não sejam tratadas como cidadãs de segunda classe, segunda categoria. Quero agradecer a quem topou essa caravana. Lutamos contra essa turma que quer tirar direitos dos trabalhadores, ameaçar nossa soberania. O combustível deles é o ódio às nossas mulheres. Vamos denunciar o discurso machista que começa na boca e termina na faca.”

A segunda parada foi Erechim, no Alto Uruguai. O Movimento da Juventude ressaltou a importância de medidas efetivas contra o feminicídio e a urgência de enfrentar o descaso com a educação. O movimento das mulheres negras também ressaltou a importância de políticas públicas para defender a vida das mulheres negras. 

O Coletivo de Mulheres da Agricultura Familiar também se comprometeu com o trabalho em eleger o time Lula. A representante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Graziela descreveu  a organização da militância com o compromisso com a campanha. “Nós estamos diante de uma encruzilhada importante no nosso país: um projeto soberano, de democracia e de outro lado o fascismo, o ódio. Por isso precisamos eleger esse time para enfrentar o discurso da extrema direita, que se coloca contra a vida das mulheres. Nós vamos colocar a nossa campanha na rua, temos mapeadas 300 brigadas no Brasil inteiro para tomar as ruas, nos vamos de porta em porta para conquistar  um projeto de esperança para o nosso Brasil”.

A representante do Movimento por Moradia ressaltou a importância de garantir casa para as mulheres que sofrem violência e também o encaminhamento delas para um emprego que garanta a independência para que possam sair do círculo da violência doméstica.

O Rio Grande do Sul enfrenta uma crise de gênero. Em 2025, foram registrados 80 feminicídios, um aumento de 9% em relação a 2024. O Estado tem a segunda maior taxa de descumprimento de medidas protetivas do Brasil, com 13.891 casos em 2025 e  lidera o ranking de feminicídios na Região Sul: 444 casos entre 2021 e 2025, o que mostra que o sistema atual falha: 12,5% das vítimas possuíam medida protetiva ativa no momento do crime. 

Edegar Pretto destacou que os feminicídios deixam marcas na família. “Eu sou coordenador do He For She e nós lançamos uma campanha pelos órfãos do feminicídio. Em quatro anos 660 crianças ficaram órfãs de mães que morreram e de pais presos. O feminicídio não acaba só com a vida das mulheres, mas com os filhos. No nosso governo haverá um selo contra o machismo, contra a  misoginia! E quando as mulheres se movem com a força que vocês estão se movendo, não tem quem possa”, disse.

O plano de governo Coração Gaúcho tem como projeto na região o acompanhamento individualizado para casos de risco extremo e atendimento remoto para as pequenas cidades do entorno.

Manuela ressaltou “nós só temos um caminho: é a ofensiva política, nossas bandeiras, causas, alegrias o tempo inteiro, todos os dias, nas ruas. Grande parte dos nossos problemas só será enfrentada com o apoio do futuro governo do estado. A gente precisa voltar a governar o Rio Grande, imaginem o último governo Lula de mãos dadas com Edegar e Juliana. Essa caravana é das mulheres do Rio Grande e para nos colocar neste estágio de luta permanente. Essa é a causa das mulheres. Nós somos as primeiras a sofrer as consequências do discurso de ódio”, finalizou.

Após passar por Lajeado e Erechim, Passo Fundo que completa 169 anos na próxima sexta-feira, 7, foi a última cidade que recebeu a Caravana das Mulheres  e contou com a participação do presidente estadual do PSB, Beto Albuquerque.

Acompanharam a caravana o Movimento de Mulheres Cegas e de Baixa Visão, da Cultura, das Cozinhas Comunitárias, MST, Associação de Mulheres e outros movimentos e representações políticas locais. Um potente dia de trocas que firma o compromisso de uma luta coletiva para um Estado comprometido com a vida das mulheres e sem feminicídios.

Texto: Carol Zogbi 

Imagens: Debora Beina 

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