Juliana Brizola e Edegar participaram da apresentação do Programa de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra Mulheres
“A minha caminhada no combate a violência contra a mulher vem de anos. E eu falo do lugar do homem, nós precisamos mudar a nossa postura. O programa HeforShe, da ONU Mulheres, o qual eu represento como articulador nacional, veio exatamente para nos colocar ao lado das mulheres. Toda a minha caminhada é para mobilizar os homens, vocês, mulheres, já lutam há anos”, disse Edegar Pretto, candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul em pré-campanha, em sua fala inicial.
O Pacto Mulher Gaúcha Segura foi apresentado por Alberto Kopittke, Diretor Executivo do Instituto Cidade Segura, na noite desta segunda, 27, na sede do PDT, em Porto Alegre. O programa de prevenção e enfrentamento a violência contra mulheres representa um inédito Sistema Único de Proteção com 12 propostas padronizadas, alertas automáticos e gestão de casos, nível de risco, caso cidade por cidade, bairro por bairro. Baseado em evidências, mapas de casas de acolhimento, conta com programas de apoio, patrulha Maria da Penha ampliada, delegacia online 24h, entre outras propostas.

Edegar também ressaltou a importância do trabalho conjunto do governo com os municípios. “Este programa vai nos ajudar a atuar com as cidades e chamar a sociedade para trabalhar junto. No nosso governo teremos o compromisso de tolerância zero com a violência contra a mulher. Uma criança que convive com a violência, vai achar que aquela situação é normal e vai repetir. Isso não pode ser naturalizado. Eu fui o autor da lei das tornozeleiras, e desde 2023 nenhum homem monitorado tentou contra uma mulher. Este projeto foi colocado 10 anos após ser aprovado. Quantas mulheres poderiam ter sido salvas?”, lamentou Pretto
A deputada Federal Maria do Rosário, falou sobre o relatório executivo feito pela Comissão Externa da Câmara de Deputados. Foram visitadas as regiões dos 497 municípios, destes, apenas 24 com delegacias da mulher, o que faz as vítimas precisarem andar mais de 100km para chegar a uma cidade e receber atendimento. “Este trabalho integra segurança, saúde, educação e assistência social. E hoje é um dos mais importantes momentos, que a gente pode ter a certeza que o governo realmente quer proteger as mulheres. Tu vais pegar na mão neste Estado. Caro não é investir na segurança, caro é perder uma mãe, deixar um filho sem mãe.”, afirmou.
Edegar também mostrou indignação com a agressão política cometida pelo candidato do PL Luciano Zucco contra a candidata Manuela D’Ávila.
Juliana Brizola, candidata a governadora em pré-campanha, também comemorou o programa apresentado. “Como mulher e mãe eu não tenho como conviver com essa realidade de feminicídio. Essa aqui é a prioridade do nosso governo. Eu sempre quis o Edegar como vice porque ele é um homem que eu não vou precisar escolarizar”, finalizou.
Pioneiro no RS
Edegar Pretto foi pioneiro no país a sugerir a aplicação deste mecanismo como forma de proteção às vítimas de violência doméstica. Ele é autor da proposta que implementou o uso da tornozeleira eletrônica, sistema de vigilância usado na época apenas em detentos do regime aberto e semiaberto, também para agressores de mulheres, no Rio Grande do Sul, em 2014, quando era deputado estadual e criou a lei, sancionada por Tarso Genro (PT), governador na época. A iniciativa integrou a Rede Lilás.
Em 2022, dos quatro primeiros colocados ao Governo do Rio Grande do Sul, o Plano de Governo de Edegar Pretto era o único que apresentava o termo feminicídio, além da recriação imediata, na época, da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.
Atualmente Edegar é Articulador Nacional do Movimento HeForShe da ONU Mulheres, atua no combate à violência contra as mulheres desde 2011, quando como deputado estadual criou a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, dando a Assembleia Legislativa gaúcha o título de primeira no país a institucionalizar um espaço voltado ao engajamento de homens na causa.
Feminicídios no RS
O país registrou 1.568 feminicídios em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. São os dados do relatório Retratos do Feminicídio no Brasil, que também aponta que o Rio Grande do Sul concentra 38,8% das mortes por feminicídio de toda a região Sul. E a velocidade assusta: enquanto a média nacional subiu 4,7%, o índice aqui no estado saltou 11,1% entre 2024 e 2025, totalizando 80 mortes confirmadas. Além das mortes, o volume assusta: em 2025, o estado registrou 258 tentativas de feminicídio e o crime deixou 116 órfãos (até 18 anos).
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina




