Frente Ampla dialogou sobre valorização da agricultura familiar e reforma agrária
A agenda do sábado, 13, foi reservada para ir até a cidade de Jóia, escutar as reivindicações dos assentados em Ceres, como obras estratégicas, a criação de uma secretaria específica que atenda agricultura familiar, estradas e retomada de assentamentos no estado.
Leila de Almeida Marques, representante do MST, ressaltou a necessidade de obras. “Nós falamos por mais de 1800 famílias de assentados da reforma. E nos é negado o direito de ir e vir, não existem estradas, espaço de que e direito, as famíias querem ter direitos à politicas públicas que cheguem. Nos produzimos vida, comida. De agora em diante valerá muito mais a vida do que exploração. A vida não pode ser mercantilizada, ela é cuidada por nós, por pessoas que querem de fato, um mundo transformado”.

Elaine Andretta, da agricultura familiar, reforçou a importância de valorização dos produtores de alimentos. “Minha fala vem por causa da necessidade desta população, que precisa de muita atenção dos nossos políticos, menos burocracia do crédito fundiário, para que o jovem possa permanecer no campo, sair da monocultura da soja. E nós precisamos de vários tipos de políticas públicas, principalmente de proteção para as mulheres, ainda mais em um estado que tem o feminicídio crescendo. Precisamos de escolas públicas de qualidade no nosso estado e isso não significa só que o aluno passe de ano”, finalizou.
Edegar Pretto, ressaltou que o Movimento Sem Terra será valorizado no governo da Frente Ampla. “O nosso povo, que hoje em dia passa só na frente do palácio para protestar e não é atendido, será recebido dentro do Piratini. A reforma agrária nesse estado será atendida com respeito novamente”, garantiu.

Pretto também anunciou a criação de um projeto inédito no Rio Grande do Sul, baseado no Plano nacional de Aquisição de Alimentos (PAA), criado quando era presidente da Conab. “Como vai funcionar: nós vamos ter uma rede de abastecimento, que são as cooperativas, associações, vamos ter tudo organizado; quem vai produzir, como nós temos no PAA (Programa de Alimento formado por 5.700 cooperativas), nós vamos ter a nossa rede de abastecimento para produzir para as escolas, para os hospitais, para os asilos, os restaurantes universitários. Onde tiver compra pública de alimento, nós vamos priorizar os assentados da reforma agrária, não só 30%, porque os 30% são mínimos, nós podemos chegar a 100% da comida que a gente produz. Além disso, nós temos que garantir comida de qualidade mais barata para o povo trabalhador da cidade. E aí que se constitui a rede o abastecimento, nos tendo essa organização de quem produz, nós vamos organizar os pequenos mercadinhos das periferias da cidade. Naquele mercadinho que hoje em dia só vende cigarro, refrigerante e cebola, ele vai se tornar o mercado da periferia”, disse.
Edegar disse ainda que o MDS (Ministério de desenvolvimento e Assistência Social) já constituiu uma rede de financiamento no BNDS, com juro mais barato para o alimento. “Aquele pequeno armazém vai comprar frigobar geladeira, vai comprar o que for preciso para ser o mercado da periferia e ele vai vender o que quiser nesse mercado, mas vai ter uma prateleira social: feijão, arroz, polo, macarrão, mandioca. O que vocês produzem vai estar direto na periferia, organizado pelo estado. Só fazendo essa venda direta pra quem compra vai ser 20% a 30% mais barata e a gente vai poder pagar melhor pra quem está produzindo. Assim a gente garante saúde através da alimentação, comida boa e mais barata e viabiliza o trabalho das mulheres e homens do campo.”
Juliana Brizola reforçou a importância de valorizar o setor. “Eu cresci com o meu avô contando sobre as reformas agrárias feitas no governo dele. Nós precisamos resgatar o nosso estado para o avanço, garantir o direito das pessoas à terra. Nos últimos 12 anos nosso estado não cresceu. O estado não incentiva quem produz alimentos para a nossa mesa todos os dias.
Esta bandeira aqui é nossa. Contem com a gente, faltam menos de quatro meses para as eleições, nós precisamos de vocês com adesivo no peito, vamos conversar com as pessoas. Nós não teremos preconceito com ninguém”, reforçou.

Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina




