Pré-candidatos foram recebidos na Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos – CRVR
O tratamento dos resíduos produzidos por milhões de gaúchos e gaúchas nos municípios do estado e a energia gerada por eles foram alguns dos temas tratados por Juliana Brizola e Edegar Pretto na visita que fizeram à CRVR, nesta terça-feira (30). O Projeto Coração Gaúcho, uma frente formada pela união de oito partidos, tem como plano de governo a sustentabilidade e a proteção ao meio ambiente.
A Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos, uma empresa de infraestrutura ambiental, controlada pelo Grupo Solví, é um dos maiores conglomerados de serviços ambientais da América Latina e atualmente recebe e trata os materiais descartados por mais de oito milhões.
A instituição privada, que atua em uma etapa essencial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, recebe os resíduos coletados pelos municípios, faz a destinação adequada, reduzindo riscos ambientais, e reutiliza parte desses resíduos para geração de energia como o biogás, produzido em aterros sanitários. A produção de biometano, 100% renovável, substituto direto do gás natural, produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos como lixo urbano e esterco, também está em crescimento na empresa.
O diretor executivo da CRVR, Leomyr de Castro Girondi, pontuou algumas das necessidades entregues em um documento para os pré-candidatos. “O Rio Grande do Sul ainda importa 30% da energia que consome, nós temos capacidade de ser autossuficientes e ainda nos tornar um estado que consiga exportar 30% para outros países. Nós temos um potencial solar muito importante. Nosso estado também tem capacidade de produção de 5 milhões de m³ de biometano diariamente. Mas nós precisamos de alguns incentivos”, salientou.

Entre as pautas apresentadas, foi destacada a necessidade de mais incentivos do governo, como benefícios fiscais, ajuste do licenciamento ambiental para que muitos lixões parem de funcionar como aterros, o que causa poluição de rios; ações públicas para mais recursos aos recicladores, incentivo do governo ao uso da energia elétrica e fontes renováveis nos prédios públicos. Durante o diálogo também foram levantadas as possibilidades de reutilização da água tratada para resfriamento de data centers e também a na irrigação, auxiliando a agricultura gaúcha.
Juliana Brizola destacou a necessidade de colocar o assunto no futuro plano de governo. “Se não se olhou até agora para isso, neste momento é essencial darmos atenção. Esta transição da energia é muito importante, ainda mais hoje em dia, que a gente fica à mercê do que acontece no mundo, então a gente gerar o nosso próprio combustível é o caminho dos países desenvolvidos. Este setor é importantíssimo para a qualidade de vida das pessoas, é uma questão de saúde pública”, ressaltou.
Edegar Pretto garantiu que a pauta será um dos temas que receberá atenção no futuro governo. “Tudo que vocês apresentaram aqui, nós vamos discutir lá no Piratini. A gente quer fazer uma conexão nacional e internacional, a questão de energias renováveis é um debate do mundo todo. Eu fui presidente da Conab e me abriu horizontes, nós fizemos parcerias com 42 países e a presidenta Dilma nos ajudou a montar projeto para as Ceasas (Centrais de Abastecimento) aqui do Brasil, com apoio do BRICS, que inclui a transformação de toneladas de alimentos descartados em energia (Waste-to-Energy), uma das soluções em bioenergia e economia circular. Podem contar com a gente para colocarmos em prática aqui no Estado também”, concluiu.
Juliana e Edegar garantiram que o diálogo e o estímulo a projetos voltados para a sustentabilidade e proteção ao meio-ambiente serão as premissas de uma nova agenda de desenvolvimento. Recentemente, os pré-candidatos visitaram outras empresas que atuam no Rio Grande do Sul, como a Marcopolo em Caxias do Sul e a CMPC em Guaíba. Novas visitas estão agendadas para as próximas semanas.
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina




