Candidato a vice-governador classificou como inaceitável o atraso nas obras de contenção
Edegar Pretto (PT), coordenador da campanha Lula no RS e candidato a vice-governador da Coligação com o Povo, participou nesta quarta-feira, 16 de setembro, do debate entre os candidatos a vice-governador promovido pelo Grupo Sinos, em Novo Hamburgo. Foram tratados assuntos do Estado e da região, como saúde, resiliência climática, educação, desenvolvimento econômico e violência contra a mulher, entre outros.
Além de Edegar, participaram os candidatos Ernani Polo (PSD), vice de Gabriel Souza (MDB), e Cláudio Diaz (PSDB), vice de Marcelo Maranata (PSDB). Silvana Covatti (PP), vice de Luciano Zucco (PL), não compareceu.
“É uma satisfação estar aqui, falar com uma das regiões mais populosas do Rio Grande do Sul, que tem uma economia diversa, que tem indústria, universidade e, principalmente, um povo trabalhador, que acorda cedo e merece uma vida melhor. O ciclo do atual governo estadual chegou ao fim. São 12 anos de um projeto que não deu certo. Privatizaram tudo, temos uma fila imensa esperando na saúde e o Estado que mais cresce em número de feminicídios. É hora de o nosso Estado voltar a crescer.”

Desenvolvimento econômico
“Juliana Brizola e eu vamos fazer um projeto parelho, em que ninguém vai ficar para trás. Infelizmente, o Rio Grande do Sul está parado, foi vendido patrimônio público, aumentaram impostos. Nós temos aqui uma economia competitiva, agricultura diversa, universidade de qualidade. Se nós tivermos a honra de governar o Rio Grande do Sul, vamos ajudar com investimento, com representação no Governo Federal.”
Violência contra a mulher
“Eu faço do combate à violência contra a mulher uma causa da minha vida. Há muitos anos eu mobilizo homens também nesta luta contra o machismo. Nós precisamos de políticas públicas. Eu sou autor da lei das tornozeleiras eletrônicas e nós temos índices que provam que os homens monitorados não voltaram a agredir as vítimas.”
Edegar também criticou a atuação do atual governo estadual na área.
“O atual governo falhou no cuidado às mulheres, às meninas. É um Estado que mais mata. O atual governo acabou com as políticas públicas. No governo Tarso foi criada a Secretaria da Mulher, a Patrulha Maria da Penha. O atual governo recriou essa secretaria há pouco tempo e sem orçamento. No nosso governo, nós vamos criar políticas públicas que possibilitem que as mulheres tenham mais independência econômica.”
Saúde
“O Hospital de Novo Hamburgo perdeu tratamento de câncer por falta de recurso, o Hospital Centenário vive uma situação dramática. O atual governo também falhou na saúde. Os municípios aplicam os 15% do orçamento, mas o Estado está deixando de fazer, porque não investe os 12% na saúde, gerando uma dívida de R$ 18 bilhões.”
Edegar defendeu mais gestão e citou como exemplo ações realizadas pelo Governo Federal.
“Nós vamos fazer gestão, vamos buscar parcerias, assim como o Hospital Conceição, modelo do Governo Federal, atendimento 100% SUS, que está fazendo o terceiro turno, com atendimentos para exames e cirurgias durante a noite e aos sábados, e conseguiu diminuir em 83% a fila de espera. O presidente Lula enviou R$ 8 bilhões para a saúde no ano passado, aumento de 55,3% na comparação com a gestão de Jair Bolsonaro, mas o atual governo não faz gestão, deixa os municípios à própria sorte.”
Saneamento
“Na venda da Corsan pelo governo Leite, foi dada a justificativa de que o Estado não teria condições de cumprir o marco do saneamento, que estabelece 90% da população com acesso à coleta e tratamento de esgoto. Venderam a Corsan, a água ficou ruim, a tarifa ficou cara e as obras não foram feitas. Tem gente que pagava R$ 100 e agora paga R$ 250.”
Edegar afirmou que um eventual governo de Juliana Brizola e Edegar Pretto vai fiscalizar de perto os contratos.
“Eu posso garantir para a população que nós não vamos tolerar desrespeito com a população e vamos colocar um olhar de lupa nestes contratos, para que o Estado possa cumprir o marco do saneamento básico, para garantir, inclusive, a limpeza dos rios, das bacias, que o governo não faz.”
Finanças
“Nós temos imenso orgulho dos governos Olívio e Tarso, os únicos dos últimos 20 anos que fizeram o governo crescer. Não vendemos patrimônios públicos, investimos no setor produtivo, pagamos dívidas da União, fizemos melhorias nas estruturas das escolas, valorizamos os servidores públicos, não tínhamos discriminação com setores pequenos ou grandes.”
Edegar contrapôs esse período à atual gestão estadual.
“Diferente do governo que está aí, que vendeu patrimônio, não valoriza o servidor, deixa as escolas públicas sucateadas. São estes que aí estão que deixaram o Estado com 800 mil gaúchas e gaúchos esperando exames, 73% das escolas sem ventilador, fiação que não funciona, um Estado que não cresce financeiramente.”
Resiliência climática
Edegar classificou como inaceitável a demora na execução das obras de proteção contra enchentes na região.
“O Governo Federal nunca faltou ao Rio Grande do Sul. Foram colocados mais de R$ 100 bilhões aqui pelo presidente Lula, foram mais de R$ 1 bilhão de recursos para a Bacia do Rio dos Sinos, e as obras não foram feitas. Eu fico pensando se, na época das enchentes, quem estivesse na cadeira da Presidência fosse quem esteve na época da pandemia. As obras ainda não foram entregues. Vocês não fizeram as obras mesmo com recursos.”
Banco Master
“Hoje tem apenas um candidato para a Presidência da República que foi comprovado que não está envolvido no escândalo Banco Master. Foi no governo Lula que foi feita a condenação, foi no governo Lula que foi fechado o banco picareta, foi no governo do presidente Lula que o dono foi preso.”
Tarifaço
Ao abordar o tarifaço dos Estados Unidos, Edegar criticou a postura de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Hoje em dia nós temos os traidores da pátria, como é o filho do Bolsonaro. Aqui na região do Vale do Sinos, 20% da produção calçadista é exportada para os EUA e vai sofrer por causa disso. Esses traidores, que andavam enrolados na bandeira do Brasil nos quartéis, quando puderam largaram a bandeira e se enrolaram na bandeira dos Estados Unidos.”
Edegar também criticou manifestações de apoio ao presidente norte-americano Donald Trump.
“Eu vejo nos eventos bolsonaristas cartazes escritos: ‘I love Trump’. Como pode? Tem que amar o seu país, a sua família. Ainda bem que nós temos o presidente Lula, que disse: ‘Aqui não, ninguém vai se meter no Brasil’.”
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina
