Refazendo caminhos percorridos pelo pai, Edegar Pretto (PT) visitou a sede da Cooperativa Nossa Terra, em Ponte Preta. O local também era frequentado por Adão Pretto, que, durante sua atuação parlamentar, percorria a região para conversar e organizar ações conjuntas com os agricultores familiares.
Edegar destacou o significado pessoal do encontro. “Para mim, tem um simbolismo muito grande estar aqui e rever o que vocês estão construindo, porque isso também representa a minha história. Eu vim do cabo da enxada. Meu pai foi escolhido por esse coletivo que vocês representam. Quando foi deputado estadual, era o único colono na Assembleia e ajudou a organizar muitos movimentos nesta região, que percorria de Fusca”, afirmou.
Ao recordar sua própria trajetória como deputado estadual, Edegar destacou que seu primeiro projeto teve origem justamente nas dificuldades enfrentadas pela agricultura familiar. “Foi olhando para as minhas raízes que construí o Susaf. Minha avó fazia o melhor salame, mas naquela época era muito difícil para uma família agricultora comercializar seus produtos. O projeto nasceu para facilitar esse caminho, permitindo que a inspeção feita no município também garantisse a comercialização desses alimentos em outras localidades”, explicou.
A Cooperativa Nossa Terra possui quatro espaços e atua em 106 municípios, com núcleos organizados para a distribuição de alimentos da agricultura familiar. São cerca de 100 itens comercializados em 12 estados brasileiros. A cooperativa também exporta feijão para países da América Central.
Atualmente, a Nossa Terra desenvolve estudos sobre a preservação de cereais para a industrialização dos produtos. Ainda neste ano, está prevista a estruturação de um parque destinado à assistência técnica e ao armazenamento de insumos.

Durante o encontro, um dos representantes da cooperativa ressaltou a relação histórica construída na região. “A gente quer agradecer a visita. Este movimento começou em 1989 e foi se estruturando a partir das parcerias com o governo federal e, depois, com a Cooperativa Nossa Terra. A tua presença aqui é muito especial, principalmente pela tua atuação à frente da Conab.”
O presidente da Cooperativa Nossa Terra, Adelmir Gaiardo, destacou a retomada das relações com a Companhia Nacional de Abastecimento durante a gestão de Edegar. “Nós passamos sete anos sem conseguir comercializar um grão para a Conab. Quando você entrou, conseguimos nos reposicionar no mercado e voltamos a operar. Hoje comercializamos 18 produtos para a Companhia, que se tornou uma das maiores parceiras da nossa cooperativa. Isso é resultado de uma decisão política do governo Lula. Já foram comercializadas 18 mil toneladas Brasil afora”, afirmou.
No ciclo 2025/2026, a cooperativa executou mais de R$ 12 milhões em contratos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em parceria com a Conab.
Edegar também falou sobre as ações desenvolvidas durante sua passagem pela Companhia e sobre projetos para ampliar o acesso aos alimentos da agricultura familiar. “Na nossa gestão da Conab, aproximamos milhares de cooperativas do Programa de Aquisição de Alimentos. Levamos comida às aldeias do território Yanomami, onde havia pessoas enfrentando a desnutrição, e ampliamos as compras da agricultura familiar. Agora queremos avançar ainda mais e construir uma rede de abastecimento que conecte as cooperativas aos pequenos comércios das cidades”, afirmou.
Segundo Edegar, a proposta prevê uma linha de financiamento por meio do BNDES para fortalecer essa cadeia. “A ideia é garantir crédito com juros baixos e aproximar diretamente quem produz de quem vende. Sem atravessador, conseguimos reduzir custos e fazer esses alimentos chegarem mais baratos ao comércio e à população. Queremos que o Rio Grande do Sul seja pioneiro nesse projeto, com cooperativas como a Nossa Terra ajudando a construir essa rede em todo o Estado”, completou.
A história da organização começou ainda na década de 1980, a partir da mobilização de um grupo formado por 60 famílias agricultoras. Atualmente, a unidade visitada possui capacidade para armazenar 50 mil sacas, recebeu investimentos de R$ 6 milhões e, somente neste ano, atendeu 147 famílias por meio de seus projetos.

A ex-prefeita de Itatiba do Sul Adriana Katia Tozzo (PT) ressaltou a importância das parcerias para garantir condições de permanência das famílias no campo. “Esta é a parte da gestão pública que dá certo. Nós, que somos de municípios pequenos, sabemos da dificuldade de manter o agricultor no campo. Em Itatiba temos uma agroindústria formada por mulheres que hoje está parada e que, futuramente, pode voltar a funcionar a partir dessas parcerias”, afirmou.
Pesquisas e protocolos relacionados ao manejo do solo também foram discutidos durante a visita. Participaram do encontro o prefeito de Ponte Preta, Josiel Fernando Griseli (PT), além de representantes de sindicatos, da Câmara Municipal, vereadores, deputados e lideranças políticas.
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina
