Ex-presidente da Conab acompanhou, em Porto Alegre, a exibição de “Não Existe Almoço Grátis”, filme sobre iniciativa do MTST no Distrito Federal
Na semana em que as Cozinhas Solidárias completam cinco anos no Brasil, Edegar Pretto, coordenador da campanha de Lula no Rio Grande do Sul e candidato a vice-governador, participou nesta segunda-feira (21), em Porto Alegre, da exibição do documentário “Não Existe Almoço Grátis”.
O filme retrata o trabalho da Cozinha Solidária do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na comunidade Sol Nascente, no Distrito Federal, e acompanha a atuação de mulheres que organizam a produção e a distribuição de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A atividade ocorreu no SindBancários e também marcou o reencontro de Edegar com representantes de cozinhas solidárias do Rio Grande do Sul, entre elas Isaura Aparecida, da Mário Quintana; Eliane Santos, da Azenha; e Ana Reckziegel, do Sarandi.

Como presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2023 e 2026, Edegar trabalhou diretamente com as Cozinhas Solidárias e outras iniciativas de combate à fome em todo o país. No Rio Grande do Sul, essa parceria ganhou ainda mais importância durante as enchentes, quando as cozinhas tiveram papel fundamental no atendimento às famílias atingidas.
“A Conab entregou 550 kits de alimentos para cozinhas solidárias que atenderam pessoas em situação de vulnerabilidade durante o período das enchentes. O papel da Conab é fundamental para que a gente tenha segurança dentro da cozinha e possa se preocupar mais com o trabalho do que com a busca de alimentos. As cozinhas solidárias, junto com a Conab e a agricultura familiar, têm sido muito importantes no combate à fome”, foi destacado durante a atividade.
Muito além da distribuição de refeições
Coordenadora Nacional das Cozinhas Solidárias do MTST, Juanita Oliveira ressaltou que o trabalho desenvolvido pelas organizações vai além do fornecimento de alimentação.
“As cozinhas solidárias surgem da experiência popular nas periferias, no MTST e nas ocupações da América Latina. Na pandemia, enquanto fazíamos arrecadação de alimentos, descobrimos que o povo não tinha acesso ao gás de cozinha e, como movimento de participação popular, nos organizamos”, afirmou.
Juanita lembrou também do papel desempenhado pelas cozinhas durante as enchentes no Rio Grande do Sul e da parceria estabelecida com o Governo Federal e a Conab.
“Aqui no Rio Grande do Sul, as quatro cozinhas cresceram bastante durante a enchente. Isso foi fruto do movimento popular junto com o Governo Federal atuando. E o Edegar, junto com a Conab, foi essencial. Além da distribuição de alimentos, temos Centro Comunitário, acesso à informação, cuidados com a saúde, reforço escolar e roda de mulheres. A cozinha é muito mais abrangente e atende também trabalhadores e entregadores de aplicativos. A cozinha é um projeto de muitos projetos”, destacou.
Da experiência das cozinhas para as telas
Após o encontro com as representantes das cozinhas gaúchas, Edegar acompanhou a exibição de “Não Existe Almoço Grátis”.
O documentário acompanha Socorro, Jurailde e Bizza, três moradoras de Sol Nascente, no Distrito Federal, que lideram uma das Cozinhas Solidárias do MTST. O filme registra, entre outros momentos, a preparação de refeições para centenas de pessoas que viajaram a Brasília para a posse do presidente Lula, em 1º de janeiro de 2023.
Um dos diretores do filme, Pedro Charbel, destacou a mudança no cenário de combate à fome entre o período em que o documentário foi produzido e o momento atual.
“A gente fez um filme num contexto bem diferente do que a gente vive hoje. Nós estávamos no Mapa da Fome e agora atingimos o melhor nível de segurança alimentar. É a prova de que movimentos sociais garantem mais acesso e dignidade para a população, junto com um governo que quer melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Cozinhas Solidárias e combate à fome
O programa Cozinha Solidária integra a política de combate à fome do Governo Lula. Por meio da Conab e de instrumentos como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), produtos da agricultura familiar podem ser adquiridos e destinados a organizações responsáveis pelo preparo e pela distribuição gratuita de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, cozinhas comunitárias e solidárias tiveram papel importante na preparação e distribuição de refeições para famílias desabrigadas, isoladas ou atingidas pelo desastre.
Movimentos populares também organizaram grandes estruturas de produção de alimentos. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, montou cozinhas para preparar milhares de marmitas com produtos da reforma agrária destinadas às regiões afetadas.
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Rafael Serra
