Edegar Pretto destaca importância do debate sobre segurança pública em lançamento de livro de Marcelo Freixo 

Pré-candidato a vice do Estado e Coordenador da Pré-Campanha Lula participou de evento em Porto Alegre

Marcelo Freixo começou a fala elogiando o espaço onde aconteceu o evento. “A cultura é um marco no Brasil. E eu nunca vi um lugar como esse, que reúne tanta possibilidade, espaço caráter pedagógico. Parabéns Rafa!”, dirigindo-se a Rafa Rafuagi, coordenador do espaço. O encontro aconteceu nesta terça-feira (9) dentro do Hub de Inovação e Fomento a Tecnologia sociocultural e ambiental, inaugurado há um mês, espaço criado pela Associação da Cultura Hip Hop de Esteio (ACHE).

O livro “Viver é Perigoso”, de Marcelo Freixo (PT/RJ) foi  escrito em parceria com Bruno Paes Manso, a obra autobiográfica revela os bastidores da luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro. A obra do pré-candidato a deputado federal, que tem o prefácio assinado por Wagner Moura, amigo de longa data, resgata a memória de Marielle Franco, vereadora e ex-assessora, assassinada em março de 2018, o assassinato do irmão, por milicianos, entre outras passagens.

Freixo contou um pouco sobre a experiência. “A gente ficou quatro anos fazendo o livro. É um livro que mergulha em um Rio de Janeiro que não é instagramável e nós queremos que ele seja útil. Este é o ano mais importante da nossa vida. Precisamos muito deste livro.  Sou apaixonado pelo Rio, dediquei minha vida ao Rio, mas se a gente não resolver no Rio, a gente não vai avançar nas questões nacionais, a milícia é uma delas. Eu escrevo pelo olhar da periferia onde nasci, São Gonçalo, meu olhar não começa numa biblioteca. Pra mim o direito humano número um é segurança porque se  a gente não tiver vivo não tem nenhum outro”, disse.

Durante o encontro foi promovido um bate-papo sobre segurança pública e democracia com o pré-candidato a vice- governador, Edegar Pretto (PT); a pré-candidata ao senado Manuela D’Ávila (PSOL), mediado pela deputada federal Denise Pessôa (PT).

Edegar ressaltou alguns pontos a serem trabalhados na área, como a valorização dos profissionais. “Eu parto de uma premissa que o primeiro passo para um gestor público atuar na segurança é escutar nossos especialistas, precisamos estar com espírito de aprender. Não há como se fazer política efetiva se os agentes do estado que vão para rua enfrentar o crime, não estão com autoestima em dia. Não adianta nada o trabalhador da segurança dirigir um carro caro e quando sair de lá precisar fazer bicos para poder pagar as contas no final do mês, nós vamos trabalhar com urgência a reposição do salário. É importante frisar também que existem outros mecanismos que o estado precisa utilizar também como políticas públicas, não só a imposição da força. A questão dos presídios  precisa ser olhada com mais detalhamento, existem modelos de parcerias com instituições que possibilitam que o detento trabalhe, se sinta útil e contribua para a sociedade”, ressaltou.

Feminicídio e políticas públicas

Pretto lamentou a falta de segurança que as mulheres que moram no estado precisam conviver. “O nosso Rio Grande do Sul está rendido aos machões e machistas. O nosso estado teve Tarso Genro como governador, criador de políticas de proteção, como a secretaria das mulheres, em 2011. Hoje nós vivemos em um estado onde mais mulheres morrem vítimas depois de já possuírem uma medida protetiva”.

Manuela D’ávila destacou a importância de falar constantemente sobre os feminicídios como forma de combate. ‘Pela primeira vez na história do país as pessoas identificam o feminicídio como o crime que mais preocupa. E o crescimento dos feminicídios está profundamente relacionado ao discurso que a extrema direita coloca. A resposta que nós vamos dar a esses machões que o Edegar falou, vai ser ocupar os espaços públicos de mulheres. Não há nada mais representativo que uma mulher ocupar espaços que costumam ser ocupados por homens”, ressaltou.

Edegar alertou sobre a importância de eleger um senado forte para garantir a manutenção da democracia. “O senado é o último espaço da instituição democrática do nosso país. Não é por acaso que a extrema direita está de olho. É lá que se vota impeachment, se aprova ministro do STF. E não é sempre que aparecem dois nomes, como nós estamos podendo fazer agora aqui no estado. Por isso é Manuela e Pimenta!”, ressaltou

O pré-candidato também se comprometeu em manter os programas que dão resultados. “Nós não vamos rasgar o que está sendo feito. O Programa RS Seguro, por exemplo, prova que alguns índices já baixaram. Já é um compromisso nosso manter. Obviamente o que está sendo positivo nós vamos manter e aprimorar”, afirmou Edegar. 

Manuela D’Ávila destacou a integridade política de Marcelo. “ A vida do Freixo é a de um homem público que se negou a ceder a corrupção num estado em que as pessoas são rotineiramente presas. Políticos, pessoas com poder. As reflexões que o Marcelo nos provoca devem nos colocar a promover questões neste patamar. A passagem ao sistema carcerário impede a volta do cidadão ao mundo de trabalho, de ressocialização. O volume de presos que estamos fazendo acaba construindo uma máquina de desigualdades”, alertou.

Marcelo Freixo finalizou destacando alguns pontos importantes. “O debate eleitoral nacional será segurança pública de um lado e comunicação de outro, e eles vão interagir. Eu fiquei 29 anos trabalhando dentro do cárcere. Todas as facções nasceram no cárcere, nenhuma nasceu fora. A milícia nasce no Palácio. O crime nasce com projeto de poder com a milícia”.

Texto: Carol Zogbi 

Imagens: Debora Beina 

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