Coperforte, produtora de leite, destacou a importância da valorização dos pequenos produtores no Plano de Governo
A última parada do time Lula em Santana do Livramento, nesta sexta, 3, foi no assentamento São Leopoldo, na Coperforte (Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste), local onde há 24 anos, 31 famílias moram e vivem da produção de leite, hortifrúti e grãos, considerado o terceiro maior faturamento da cidade, contando com 1.600 associados.
A dirigente da cooperativa, Rosi Lima, ressaltou a importância da organização, fruto do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). “Nós somos responsáveis pela produção de dois milhões de litros de leite por mês, produzimos para 20 municípios e movimentamos a economia local. A gente tem toda essa importância, mas, muitas vezes, somos invisíveis para o governo estadual. A Coperforte está aqui, gerando leite, girando a economia, e não somos tratados com respeito”, lamentou. 
O encontro, que teve a participação do pré-candidato a vice-governador Edegar Pretto (PT), a pré-candidata ao senado, Manuela D’ávila (PSOL), o presidente do PT/RS Valdeci Oliveira, o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), e outras lideranças debateu a base do cooperativismo e da reforma agrária e soberania alimentar.
Pretto ressaltou os quase R$ 12 milhões destinados para a cooperativa em alimentos que a Conab comprou e viabilizou a produção, na época em que era presidente. ”Eu andei por todo este Brasil, no Rio eu ia com a Benedita entregar o leite em pó produzido aqui na periferia. O leite que vocês produziram aqui ajudou o Brasil a sair do mapa da fome.”,
No encontro, sob o sol para amenizar a temperatura de sete graus, foram apresentados dois assentados que voltaram da Venezuela, onde se formaram em medicina. Os produtores pediram apoio: “é impossível dialogar com o governo estadual, com a prefeitura. Nós precisamos de estrada para escoar produção. Vocês são pessoas que nem nós, que lutam pelo projeto dos trabalhadores e para a construção de uma sociedade melhor”, ressaltou um assentado.
A pré-candidata ao senado, Manuela D’Ávila (PSOL), agradeceu o convite. “É muito bom ser recebida por vocês, em forma de comida que é afeto, afeto que vocês produzem. Nós temos algo em comum, estamos entre companheiros e companheiras, eu aprendi muito com o MST, que não se ilude com governo, que sabe que apenas resultado de eleição não basta, tem que seguir na luta, organizado. Como a gente vai garantir que o filho do trabalhador tenha um emprego bom, sem um governo que não consegue nem alfabetizar nossas crianças? Não vai ser fácil, mas eu vou pra lá pra lutar pela reforma agrária. Nós temos que abrir caminho pro futuro, este é o Brasil que nós temos que construir. Nós precisamos seguir com luta, coragem e valentia, que é isso que o MST nos ensina”.

Legado de consciência, formação e amor à terra
Ari, líder do movimento na região, lembrou do pai de Edegar, ao se referir ao MST. “Quando a gente olha pro Edegar, a gente lembra do pai dele, o Adão, nós somos irmãos de luta. Eu estive com ele até o último dia de luta dele. Em nome do nosso movimento, aqui da região de Livramento, nós estaremos ferrenhamente na campanha de vocês, lutando para eleger e dar continuidade ao nosso trabalho social”, após ser oferecido um almoço produzido pelos assentados, ele acrescentou: “a nossa fronteira, como chamamos, precisa ser aberta. Quero deixar aqui a nossa solidariedade aos companheiros palestinos e venezuelanos. Quando a gente fala em humanidade a gente se questiona que humanidade é essa? Nós queremos valorizar a agricultura familiar, camponesa, quilombola, indigena. São esses pequenos que cuidam do meio ambiente, que protegem a natureza.”

Edegar Pretto (PT), coordenador da pré-campanha do presidente Lula no RS e pré-candidato a vice-governador, se emocionou ao lembrar as origens do movimento. “Estes nossos companheiros, quando fazem referência ao meu pai, que foi um dos fundadores do MST, fazem ele presente. Meu pai subiu numa mesa, lá em Miraguaí, e falou para os agricultores que tinham se reunido: ‘vamos criar movimento que vai dar frutos, baseado em três argumentos. O primeiro é a lei de Deus, todos têm direito à terra; o segundo, a lei dos homens, pelo estatuto da terra, devemos ter um pedaço para plantar; e o terceiro, nós temos muita terra sem gente e muita gente sem terra. E o governo não faz nada, então nós precisamos fazer a reforma agrária!” e encerrou lembrando o legado do pai dentro do movimento. “Ele falava da reforma agrária popular, que hoje é a reforma agrária que a gente sonha, tem cooperativa, tem escola, tem comunidade, é isso que nós produzimos: consciência, formação e comida”, concluiu Edegar.

Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina




