Carta das forças políticas do campo democrático e popular do RS

As forças políticas presentes neste ato e que subscrevem este documento começam reafirmando que a nossa prioridade absoluta é a reeleição do presidente Lula. Estamos cientes do tamanho do desafio, em especial pela importância deste projeto não apenas para o Brasil, mas para a América Latina e para o mundo. Lula é uma voz de equilíbrio essencial em um contexto internacional instável, sobretudo diante da postura inconsequente e belicista do presidente dos Estados Unidos.

Sabemos, também, que esta eleição estará submetida a forte interferência estrangeira, seja pela falta de transparência na atuação das big techs, seja pela postura de Donald Trump, com suas bravatas e ameaças, como já vimos recentemente em processos eleitorais na América Latina.

Os partidos e as forças políticas e sociais que defendem a pré-candidatura de Edegar Pretto a governador vêm trabalhando há meses, em todos os cantos do estado, na organização e mobilização da nossa base social, e os resultados são evidentes. Mesmo em regiões onde enfrentávamos maiores dificuldades, há hoje uma clara disposição de apoiar esse movimento, representado por Edegar, assim como pelos nossos pré-candidatos ao Senado Federal, Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila, em nome do presidente Lula.

A eventual desarticulação dessa frente acarretaria desmobilização e frustração de uma base social que dá sinais inequívocos de que não aceitará ver uma construção coletiva ser substituída por uma imposição definida a portas fechadas, sem diálogo e sem transparência.

Essa hipótese é ainda mais incompreensível por significar a substituição de uma frente plenamente identificada com o presidente Lula por uma candidatura que, ao longo dos últimos anos, não esteve na linha de frente da defesa e da divulgação das ações do Governo Federal — nem mesmo em momentos críticos para a soberania nacional, como quando Donald Trump pressionou instituições da República por meio da taxação de setores estratégicos da economia gaúcha e brasileira.

Em debates recentes, a pré-candidata Juliana Brizola não fez qualquer referência ao presidente Lula ou às políticas do Governo Federal.

Essa ausência de identidade não surpreende. O PDT, há mais de uma década, integra, no Rio Grande do Sul, governos que aplicaram uma agenda neoliberal, marcada por privatizações de empresas estratégicas, precarização dos serviços públicos, arrocho aos servidores — especialmente os inativos — e retração do papel do Estado na economia.

Foi esse mesmo projeto, com apoio do PDT, que promoveu a flexibilização de cerca de 500 normas ambientais em um estado historicamente vulnerável às consequências da crise climática.

Evidentemente, seria importante contar com o PDT em nossa frente política — desde que baseado na identidade com o projeto nacional. No Rio Grande do Sul, representamos um projeto de oposição ao atual governo, e esse comprometimento deve vir de todos os partidos que compõem essa frente política.

É por isso que há resistência da nossa base social em aderir a um palanque coordenado por alguém que integra a base do atual governo.

Esse projeto deixou marcas profundas. Perdemos qualidade na educação, o Estado não cumpre plenamente suas obrigações na saúde e na segurança, e convivemos com índices alarmantes de feminicídio.

Neste contexto, seria uma afronta aos militantes do campo popular e democrático do Rio Grande do Sul abrir mão de uma pré-candidatura estruturada, que está em pleno processo de construção participativa de um programa de governo, com presença em todas as regiões do estado, escuta ativa da população e capacidade concreta de mobilização social e política. A eleição no Rio Grande do Sul não pode ser tratada como secundária. Temos uma história, um legado e uma responsabilidade que precisam ser respeitados.

Seguimos dispostos a manter o diálogo com o PDT no Rio Grande do Sul, sem imposições, até o período das convenções partidárias. Neste momento, entendemos que o palanque já estruturado é o mais amplo e mais potente para sustentar a reeleição do presidente Lula no estado. Caso não seja possível a composição, a existência de dois palanques pode, inclusive, contribuir para ampliar as chances de vitória do nosso campo no segundo turno.

Reafirmamos, ainda, que decisões dessa magnitude não podem estar baseadas exclusivamente em levantamentos de institutos de pesquisa. Em 2022, as pesquisas foram determinantes para que não chegássemos ao segundo turno da eleição estadual. Na última pesquisa IPEC, divulgada três dias antes da votação, Eduardo Leite aparecia com 38% e Edegar Pretto com 15%. Na apuração final, ambos tiveram 26% dos votos válidos, com uma diferença de apenas 2.441 votos — o equivalente a 0,04%.

Por fim, temos confiança de que o PDT manterá seu compromisso com a democracia, sem condicionar o apoio ao presidente Lula a uma imposição no Rio Grande do Sul.

Diante de um cenário polarizado, a escolha que se coloca é clara: democracia ou barbárie.

Somos militantes comprometidos com a democracia — que não pode ser seletiva — e seguiremos lutando por ela, em todas as instâncias. Sempre.

 

Assinam

PSOL, PSB, PV, Rede Sustentabilidade, PT

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