A necessidade de preparar o Rio Grande do Sul para enfrentar a crise climática tem sido um dos temas centrais das entrevistas e manifestações públicas de Edegar Pretto durante a campanha. Em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (28), o assunto apareceu já na saudação do candidato a vice-governador aos jornalistas Leandro Staudt, Mariana Ceccon e Paulo Germano. “Infelizmente, o Rio Grande do Sul está enfrentando um novo período de chuvas, estamos em alerta. E, como disse o Paulo Germano em um comentário recente, a chuva virou uma tortura psicológica para milhares de gaúchos e gaúchas. E eu quero ter a oportunidade de falar sobre isso”, afirmou.
Questionado sobre o papel que pretende exercer em um futuro governo de Juliana Brizola, Edegar afirmou que quer atuar diretamente na reconstrução e na preparação do Estado para os eventos climáticos extremos. “Ganhando as eleições, quero ser um ajudante na reconstrução do Estado. Nós vamos transformar o Rio Grande do Sul num verdadeiro laboratório de novas experiências para enfrentar as mudanças climáticas. No Brasil, o estado que mais está sofrendo, e que mais seguirá sofrendo, é o nosso Rio Grande do Sul. Então, nós queremos reivindicar aquilo que temos por direito.”
Mesmo diante da complexidade do desafio climático, Edegar demonstrou otimismo e apontou caminhos para que a economia gaúcha volte a crescer. “Eu conheço esse Estado e acredito muito nele. Nós temos uma agricultura altamente competitiva, uma indústria diversificada, universidades de excelência, solo fértil e um povo trabalhador. Esse Estado tem tudo. O que falta é uma liderança que pegue essas oportunidades e devolva ao nosso povo a dignidade e o Rio Grande que já fomos em outras épocas. É por isso que a Juliana Brizola e eu estamos caminhando juntos.”
Edegar também fez referência aos recursos disponíveis para obras de reconstrução e prevenção de novos desastres. “Temos mais de R$ 9 bilhões no Funrigs para fazer obras e mais R$ 6,5 bilhões que o Governo Federal repassou para obras de contenção das cheias, e o atual governo não se preparou para o que vem. Podemos transformar o Rio Grande do Sul em um canteiro de obras.”
Para o candidato a vice-governador, uma das atribuições centrais da nova gestão será recuperar a capacidade de articulação do Estado com o Governo Federal. “Como governadora e vice, temos um papel central: precisamos dialogar com Brasília, renegociar a dívida e buscar mais prazo para o Funrigs. Eu já trabalhei com o presidente Lula, sei como funciona a relação com os ministérios e, ganhando a eleição, começaremos esse trabalho assim que tomarmos posse.”
Edegar destacou ainda que a união dos partidos em torno da candidatura de Juliana Brizola representa a construção de um projeto mais amplo para o Estado. “Nossos partidos, mesmo sendo diferentes, se juntaram por um projeto coletivo para o Rio Grande do Sul e também para ajudar o presidente Lula na reeleição. Eu garanto que será um governo de muito diálogo, construído em cima de uma agenda de desenvolvimento. Não vamos perguntar o partido político de ninguém. Vamos resolver o que precisa ser resolvido.”
Ao falar da relação com o Governo Federal, Edegar lembrou ainda do apoio recebido pelo Estado durante as enchentes.
“Nós vamos, em nome do povo gaúcho, reivindicar aquilo que é direito do Rio Grande do Sul, independentemente de quem estiver na cadeira da Presidência. Mas eu acredito que o presidente Lula será reeleito, para o bem do Brasil. Na enchente, nós precisamos do presidente Lula. Ele nos ajudou e mandou recursos.”

Gestão e retomada dos investimentos
Na questão das finanças estaduais, Edegar defendeu a retomada da capacidade de gestão e de execução de investimentos públicos. “Esse projeto que governa o Rio Grande do Sul há 12 anos vendeu a ideia de que bastava privatizar a CEEE e a Corsan que todos os problemas seriam resolvidos. Agora, o diagnóstico é desafiador: um déficit de R$ 4,8 bilhões para o orçamento de 2027.”
Para Edegar, entretanto, o Rio Grande do Sul vive também uma “janela de oportunidades” que precisa ser aproveitada para impulsionar uma nova agenda de desenvolvimento. “Nós queremos e podemos ser protagonistas na transição energética. Temos o exemplo da Be8, em Passo Fundo, com o projeto inédito do BeVant, um biocombustível 100% renovável. Temos também as cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal com um complexo industrial de processamento de soja e produção de biodiesel em Cruz Alta.”
O candidato também destacou oportunidades relacionadas ao comércio exterior, à pesquisa e ao desenvolvimento de novas cadeias produtivas. “O nosso Rio Grande não pode ficar de fora deste debate nacional e mundial. Temos as oportunidades do Mercosul com a União Europeia, temos a questão das terras raras, especialmente em Caçapava do Sul, onde as nossas universidades estão estudando os minerais que podem ser extraídos. Podemos gerar empregos de qualidade para os jovens, com bons salários, para que eles não precisem deixar o nosso Estado. É assim que a nossa economia vai voltar a crescer.”
Sobre as concessões de serviços e infraestrutura, Edegar afirmou que a futura gestão pretende combinar participação privada, segurança jurídica e defesa do interesse público. “Nós somos a favor das concessões bem feitas. Queremos dar segurança jurídica para os empresários investirem, mas queremos contratos transparentes para que o povo também saia ganhando.”
Nesta terça-feira (29), Edegar Pretto concederá entrevistas para a Rádio Progresso de Ijuí e Acústica FM de Camaquã.
Texto: Carol Zogbi
Imagens: Debora Beina
